Estudo da Fundação Seade mostra pequena queda nos índices de inadimplência, mas constata diferença grande entre grupos sociais no Estado
Por *Breno Marino


O termo dívida, no ambiente econômico, faz alusão a todo compromisso financeiro assumido, esteja em dia ou em atraso. Baseando-se nessa noção, de acordo com estudo realizado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), 57% das famílias do Estado de São Paulo possuem dívidas. O índice é menor em relação aos 59% encontrados nos últimos três anos, desde o início da Pesquisa sobre Endividamento das Famílias no Estado de São Paulo realizada pela organização.
Inadimplência
Entre as famílias endividadas, 34% não estão conseguindo honrar com todos os seus compromissos. O dado é o mesmo em relação ao ano passado, o que indica a pouca evolução nesse quesito. Entre famílias com renda de até um salário mínimo, a taxa é ainda mais preocupante: a inadimplência chega a 42%. Em contraposição, grupos com renda de mais de dez salários mínimos representam 13% dessa estatística.
Em grande parte dos casos de endividamento, os principais causadores desse problema são o cartão de crédito, o cheque especial ou empréstimos pessoais, de acordo com o estudo. Outras razões, como o financiamento de imóvel ou aluguel pendentes e a falta de pagamento de prestação de automóveis também representam altos índices – 35% e 19%, respectivamente.
Desigualdade
Uma questão alarmante entre a população inadimplente está na visão dos próprios cidadãos em dívidas. Segundo a pesquisa da Fundação Seade, quase metade das famílias paulistas inadimplentes se considera muito endividada e 35% não sabem quando poderão acertar suas obrigações financeiras. Metade das famílias endividadas não consegue arcar com custos de vida básicos, como contas de água e luz. Além disso, 60% não dão conta de quitar no prazo despesas com alimentação e farmácia.
Essas estatísticas são impactantes e afetam diretamente não só a vida das pessoas envolvidas, mas toda a sociedade. O endividamento excessivo reduz o padrão de consumo e qualidade de vida dos brasileiros e causa forte impacto na economia. A desigualdade é uma questão intrínseca à inadimplência. Mesmo com um aumento na porcentagem de famílias que conseguiram guardar algum dinheiro entre 2022 e 2025 (de 18% a 22%), o estudo da fundação constatou que, enquanto 62% das famílias mais ricas têm condição de poupar, apenas 9% das mais pobres têm a mesma oportunidade.
*Sob supervisão de Cinderela Caldeira
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