Embora o aquecimento global explique a maior parte da elevação das temperaturas na Amazônia, os 0,4ºC adicionados pelo desmatamento não são nulidades. “Parece pouco, mas não é”, aponta Franco. O professor enfatiza que os extremos de calor e de redução das chuvas se acentuam nas regiões mais desmatadas, o que amplifica os eventos climáticos extremos em escala local e regional.
Caso o desmatamento avance de forma contínua, a Amazônia pode ser levada para um regime climático semelhante ao do Cerrado, com estações secas mais marcadas e maior contraste com o período chuvoso.
“Essas tendências de desflorestamento e aumento da temperatura estão levando a Amazônia a ter um ciclo sazonal cada vez maior. Mas a resposta da vegetação pode ser diferente, não se sabe como a vegetação vai reagir a isso. Em regiões onde a vegetação é um pouco resiliente, pode haver uma redução de altura das árvores”
Luiz Machado
Para Franco, esses dados são cruciais, agora que a Amazônia está no centro do debate internacional. “Este ano é o ano da COP30, em Belém”, ressalta. “Os números que apresentamos precisam servir de guia para os tomadores de decisão. É fundamental proteger e reflorestar o bioma, porque os efeitos são muito drásticos quando se remove a cobertura vegetal. E, quando cada país sentar à mesa de negociação, todos terão de saber a conta que lhes cabe pagar.”
O artigo How climate change and deforestation interact in the transformation of the Amazon rainforest pode ser acessado neste link.
Mais informações: marco.franco@usp.br, com Marco A. Franco, e lmachado@if.usp.br, com Luiz A. T. Machado
*Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz
**Estagiário sob orientação de Moisés Dorado


