domingo, maio 17, 2026
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Famílias brasileiras acumulam mais dívidas e inadimplência avança em 2025 – Jornal da USP


Os vilões da vez, segundo Daniel Bergmann, são crédito altíssimo,  inflação que corrói o poder de compra e a estagnação da economia, sem o aumento real dos salários

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Imagem de uma mão fazendo cálculos numa calculadora, enquanto ao redor se veem vários cartões de crédito e boletos de contas a pagar
A previsão é que o endividamento continue subindo ao longo de 2025 – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
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A combinação de salário baixo, juros altos e custo de vida elevado está levando as famílias brasileiras ao  endividamento. O último levantamento do Banco Central (BC) aponta que as famílias já comprometem cerca de 30% da renda com dívidas, panorama que se aproxima muito do recorde registrado em 2023. O professor Daniel Bergmann, do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), explica os motivos.

Daniel Bergmann – Foto: FEA-USP

Ele diz  quais os vilões do orçament0 são crédito altíssimo,  inflação que corrói o poder de compra e a estagnação da economia, sem o aumento real dos salários. O Brasil vem passando por um momento positivo, com a diminuição do desemprego, mas o professor alerta que não é suficiente em função da alta inflação. O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelas dívidas, além dos carnês de lojas, que cresceram e passaram a ser mencionados pelas  famílias.

O endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer em maio. O levantamento também mostra que a inadimplência, ou seja, as contas em atraso, está aumentando. “A última década foi marcada por crises sobrepostas que minaram a saúde da nossa economia. Tivemos a profunda recessão de 2015-2016, o choque disruptivo da pandemia em 2020 e, mais recentemente, um ciclo de inflação persistente combatido com juros extremamente elevados”, afirma o pesquisador. ” O legado desse período é um país estruturalmente fragilizado. Hoje, convivemos com famílias asfixiadas por dívidas, um crédito caro que inibe o consumo e o investimento, um crescimento econômico estagnado e, de forma crucial, instituições estatais com sua capacidade de resposta comprometida pela crise fiscal,” finaliza. 

Dívidas devem continuar crescendo

A previsão é que o endividamento continue subindo ao longo de 2025. A inadimplência também deve aumentar e novos programas de crédito do governo podem deixar os lares ainda mais comprometidos financeiramente.

A situação fiscal é o pano de fundo de toda essa crise. Existe um consenso crescente entre economistas de que a trajetória da dívida pública é insustentável e tende a piorar. O problema é que um governo altamente endividado gera desconfiança no mercado, o que obriga o País a pagar juros mais altos para se financiar.

Isso afeta o cidadão de forma direta: para atrair investidores, o governo mantém a taxa Selic elevada, o que encarece todo o crédito no País — do financiamento imobiliário ao juro do cartão de crédito. Além disso, um dado técnico, mas fundamental, é que mais de 60% da dívida pública brasileira está indexada à taxa de juros de curto prazo. Na prática, isso significa que, quando o Banco Central sobe os juros para controlar a inflação, o custo da dívida do próprio governo explode, limitando drasticamente sua capacidade de investir em serviços públicos essenciais.

Apesar da dificuldade do cenário macroeconômico, a organização financeira individual é crucial. A saída exige disciplina e estratégia. As recomendações são: priorizar as dívidas mais caras. O foco absoluto deve ser quitar o saldo devedor do cartão de crédito e do cheque especial; renegociar tudo é fundamental procurar os credores para renegociar prazos e taxas. Plataformas de renegociação e os próprios bancos oferecem canais para isso, e é preciso buscar condições mais justas; evitar a “troca de dívida” perigosa contrair um novo empréstimo para pagar um antigo só vale a pena se os juros forem comprovadamente menores e couberem no orçamento, caso contrário, apenas se cria um problema maior a longo prazo; reorganizar o orçamento – é necessário um diagnóstico honesto das finanças, cortando todos os gastos não essenciais e direcionando cada real possível para a quitação das pendências.


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