“Estamos falando de um saber ancestral que tem consequências benéficas sobre a saúde,” afirma Júlia. A pesquisadora diz que já eram conhecidos os efeitos positivos das comunidades tradicionais na conservação da biodiversidade, na preservação da floresta e na contenção das queimadas, mas “agora temos mais um caminho possível para buscar direitos indígenas e ecossistemas saudáveis.”
“Os indígenas mostram pra gente caminhos mais sustentáveis. São cruciais para a preservação da biodiversidade” – Júlia Barreto
“Durante muito tempo, estudamos só as causas, como o desmatamento, a perda de biodiversidade, as mudanças climáticas. Mas, chega uma hora que você pensa: e agora? Como mitigar?”, comenta Paula. De acordo com as pesquisadoras, a ciência de base pavimentou o caminho para a integração da sustentabilidade indígena na produção científica e, possivelmente, na gestão pública.
“É a primeira base de dados que possibilita pensar no gerenciamento de toda a região amazônica,” afirma Júlia. Ela afirma que é a primeria sistematização de informações aberta capaz de promover impactos na saúde para toda a região. No ano em que a Amazônia sedia a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), as pesquisadoras têm esperanças de que seus resultados promovam efeitos sobre a gestão pública. Para isso, foram disponibilizados os dados levantados sobre as doenças em cada região, que podem ser publicamente acessados.
A malária se destaca. “Ela tem a maior carga sobre a população, é o maior problema,” diz Paula. Estudar a doença era obrigatório, em função de seu impacto na região. A lacuna, elas apontam, é a falta de um programa panamazônico de monitoramento: Os países não reportam as mesmas doenças nem possuem leis indígenas semelhantes, e os dados contemplam períodos diferentes. No Suriname, apesar da vasta arborização, as Terras Indígenas não são demarcadas. Na Venezuela, os dados para malária se encerram em 2017 – apenas o Brasil e a Guiana Francesa têm dados recentes.


