domingo, março 15, 2026
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Pix parcelado chega ao Brasil e promete transformar compras a prazo – Jornal da USP


Nova funcionalidade parcela sem cartão de crédito, agiliza vendas para lojistas e amplia inclusão financeira

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Tela de celular exibindo a página do Banco Central do Brasil com destaque para o logotipo do sistema de pagamentos instantâneos PIX. O site mostra botões de navegação e ícones de redes sociais.
Com o Pix parcelado, consumidores dispensam cartão e dividem o valor da compra enquanto lojistas recebem o valor integral de forma imediata – Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Logo da Rádio USP

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos que conquistou os brasileiros pela rapidez e praticidade, passa a contar com um novo recurso: o parcelamento. Previsto para ser oficializado e regulamentado pelo Banco Central até o fim deste mês, ele permitirá que consumidores façam compras a prazo sem precisar de cartão de crédito, pagando em parcelas pelo aplicativo bancário, enquanto os lojistas recebem o valor integral de imediato. Já oferecido por bancos de forma isolada, o serviço agora terá regras padronizadas, com mais transparência e estímulo ao uso consciente do crédito.

Homem de cabelo curto e claro, veste camisa branca e blazer escuro. Ele está em ambiente interno com parede clara ao fundo.
Leandro Fiuza – Foto: Arquivo pessoal

Atualmente 98,7% do comércio brasileiro aceita o Pix como forma de pagamento, o segundo meio mais utilizado no País, atrás apenas do dinheiro, segundo levantamento do Banco Central. Para Leandro Fiuza, CEO e fundador da SaqPay, plataforma de soluções de pagamento para empresas, a ferramenta vai impactar o varejo nacional. “Será uma opção a mais que o varejo tanto físico quanto on-line vai ter para oferecer e aumentar o volume de vendas, atingindo um público que hoje em dia não consegue fazer compras de forma parcelada.” 

Para varejistas, o Pix parcelado traz vantagens importantes, como o recebimento dos valores à vista, sem pagar juros aos bancos, mesmo que os compradores optem por parcelar mensalmente sua compra. Segundo o especialista, a principal vantagem do método é o baixo custo da operação. “Como ele envolve apenas a plataforma de pagamento que será utilizada para gerar o Pix parcelado, a cadeia de cobrança é menor, e isso acaba impactando positivamente o custo do produto que será vendido”, explica.

Fiuza acrescenta que o risco para o lojista é praticamente nulo, já que a operação é instantânea. “Assim que o cliente efetua o pagamento, o dinheiro já fica disponível na conta do lojista”, ressalta, mas alerta para a necessidade de formalidade. “A única atenção que o lojista precisa ter é fazer a venda com toda a documentação necessária: nota fiscal e comprovantes. Caso o cliente solicite um mecanismo de devolução, como uma contestação da compra, o vendedor estará resguardado se comprovar que entregou corretamente o produto ou serviço. Dessa forma, o cliente não conseguirá contestar a compra, e o dinheiro permanece com o lojista.”

Substituição do cartão de crédito

O cartão de crédito ainda é uma das formas de pagamento mais tradicionais e populares entre os consumidores brasileiros. Ele oferece benefícios como programas de pontos, seguros, parcelamentos e facilidades em compras on-line e presenciais. 

Homem de óculos, com cabelos curtos escuros, veste camisa clara e blazer preto. Ao fundo, há um quadro colorido em ambiente interno.
Luciano Nakabashi – Foto: Lattes

Contudo, para o economista e professor Luciano Nakabashi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, a nova funcionalidade tem potencial de substituir gradualmente o uso do cartão. “Claro que o cartão de crédito oferece benefícios aos usuários, algo que o Pix parcelado não proporciona. No entanto, depende do perfil do cliente: aqueles que valorizam mais os benefícios continuarão usando, enquanto quem busca praticidade ou custos menores pode optar pelo Pix parcelado como uma forma de substituí-lo parcialmente.”

O economista ressalta que “as operadoras de cartão de crédito muitas vezes cobram taxas de antecipação e altos custos de administração, o que torna o Pix parcelado uma alternativa vantajosa”.

Inclusão financeira

Quatro anos após seu lançamento, o Pix se consolidou como a forma de pagamento mais utilizada pelos brasileiros. De acordo com estatísticas do Banco Central, em dezembro de 2024 mais de 150 milhões de pessoas físicas já haviam realizado ao menos uma transação por meio da ferramenta. A nova funcionalidade que permite parcelar compras, sem depender de cartão de crédito, amplia o acesso a modalidades de pagamento que antes estavam restritas a quem tinha crédito aprovado.

Segundo Nakabashi, a medida deve beneficiar principalmente consumidores de baixa renda, que costumam enfrentar mais barreiras para obter crédito. “A funcionalidade vai facilitar o acesso ao crédito de pessoas que não têm e que geralmente são de renda mais baixa, pois o sistema do Pix tende a ser menos burocrático, com menos limitações”, explica. Ele ressalta, no entanto, que o cartão ainda é amplamente usado para compras de menor valor. “Mas é justamente nesse tipo de operação que o Pix deve ganhar espaço”, completa.

Apesar do fácil acesso, Nakabashi alerta para o risco de endividamento. Segundo ele, assim como em qualquer tipo de crédito é preciso cautela: no futuro, a conta chega. “Parece simples: você parcela a compra de um bem ou serviço e só tem que arcar com esses custos futuramente. Mas, quando a pessoa não se planeja, pode acabar em situação difícil”, afirma. O economista destaca que o planejamento é fundamental. Antes de assumir qualquer empréstimo é preciso avaliar se há real necessidade do produto ou serviço ser adquirido e se o pagamento não vai comprometer a renda da família ou o bem-estar no futuro. “Ainda mais em um país como o Brasil, com taxas de juros muito altas”, conclui.

*Estagiário sob supervisão de Ferraz Junior e Gabriel Soares



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