O enredo, segundo a professora Rita Chaves, leva à reflexão e ao questionamento. “O que nós percebemos no desenvolvimento histórico é que não há julgamento. Não há uma expiação sequer da culpa. Essas pessoas que protagonizaram essa história tão cruel são poupadas. Isso acontece com o capitão. Claro que ele tem o drama da culpa, que aparece, digamos assim, no exercício da sua subjetividade como nos pesadelos, na solidão. Mas, na realidade, não há um acerto de contas com a história.”
Na avaliação da professora, as intenções da autora são exatamente mostrar esse vazio histórico. “Ou seja, essa incapacidade que temos tido até hoje de responsabilizar as pessoas. Esse, na minha opinião, é um aspecto interessante.”
A Visão das Plantas, segundo Rita, tem um compromisso com um sentido ético da literatura, que leva a estabelecer uma relação com outras formas de conhecimento como a História, Sociologia, Antropologia e até com o Direito. “A linguagem do livro é uma das suas grandes qualidades. Você não tem uma linguagem objetiva, um enredo linear. O que você tem é uma literatura que procura provocar no leitor o julgamento que o autor não faz. Djaimilia Pereira de Almeida não julga o narrador que representa o autor. Também não julga o personagem. Mas nós, leitores, não podemos ficar indiferentes a isso.”


