A proposta da disciplina é fomentar competências colaborativas, articuladas ao cuidado centrado nas pessoas, famílias e territórios e à atuação integrada nos serviços de saúde, com base nos princípios da Educação Interprofissional (EIP). A EIP é compreendida como o processo pelo qual membros de duas ou mais profissões aprendem juntos, de forma interativa, para melhorar a colaboração e a qualidade do cuidado em saúde.
Coordenada pelas docentes Valéria Leonello (Enfermagem), Fátima Oliver (Terapia Ocupacional) e Bárbara Lourenço (Nutrição), a disciplina conta com a participação das professoras Henriette Morato (Psicologia), Helena Watanabe (Saúde Pública), Ana Claudia Germani (Medicina) e Elizabete Franco (Obstetrícia), compondo um coletivo interprofissional que enriquece as experiências de ensino e aprendizagem. Neste ano, a disciplina ampliou ainda mais sua articulação ensino-serviço-comunidade ao incluir, em suas atividades, a participação de profissionais de saúde da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), viabilizada por meio do Contrato Organizativo de Ação Pública de Ensino-Saúde (Coapes) USP, o que fortaleceu a aproximação dos estudantes com a realidade dos serviços públicos de saúde.
A programação de 2025 foi desenvolvida por meio de metodologias ativas, situações-problema e estratégias de sensibilização, distribuídas em uma semana intensiva de atividades presenciais. Foram abordados temas como o imaginário social das profissões, o cuidado em saúde, as relações de raça e gênero nos processos de cuidado, o processo de trabalho contemporâneo em saúde, o trabalho interprofissional e a elaboração de planos de cuidado interprofissionais. A diversidade de estratégias incluiu estações de aprendizagem, leitura em jogral, mapa mental, debates com convidados e estudo de caso, proporcionando experiências dinâmicas e reflexivas.
No contexto da USP, essa disciplina representa uma experiência inovadora, considerando que ainda existem poucos espaços de aprendizagem interprofissionais estruturados na graduação em saúde. Ao promover o aprendizado com, sobre e entre as diferentes profissões, reafirma-se que a formação interprofissional é essencial para qualificar a formação em saúde e fortalecer o trabalho em equipe no Sistema Único de Saúde (SUS). A EIP contribui para a construção de práticas colaborativas que favorecem a integralidade do cuidado, a coordenação entre diferentes níveis de atenção e a equidade no acesso aos serviços, aspectos centrais para a efetividade e a sustentabilidade do SUS.
* Elizabete Franco, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, Helena Watanabe, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, Ana Claudia Camargo Gonçalves Germani, professora da Faculdade de Medicina da USP, e Henriette Morato, professora do Instituto de Psicologia da USP
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