A iniciativa de unir pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento para o projeto visa a deixar o estudo o mais completo e inovador possível, cruzando as fronteiras do conhecimento

O novo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT-FoRC) da USP foca na interseccionalidade entre biodiversidade de plantas, produção sustentável de alimentos e saúde humana. Serão reunidos pesquisadores de quatro unidades diferentes da universidade: Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (Esalq) e a Escola Politècnica (Poli). O instituto será sediado no Centro Especial de Pesquisa e Inovação de Alimentos (CEPIx-FoRC).
A professora Bernadette Gombossy de Melo Franco da FCF, coordenadora do projeto, fala dos objetivos. “A principal meta é a integração de diferentes expertises para promover o desenvolvimento do nosso país. Esse INCT, em particular, tem uma diferença em relação aos anteriores, porque o INCT da chamada de 2024 engloba não só o CNPq, mas também a Capes e as Fundações de Amparo à Pesquisa dos diferentes Estados – no nosso caso específico é a Fapesp. Então o nosso receberá verbas das três instituições. Nós pretendemos estender os nossos conhecimentos para promover o uso sustentável de recursos naturais vegetais do nosso país para uma alimentação equilibrada e saudável, o fortalecimento das cadeias produtivas e a melhoria da qualidade de vida não só da população como dos produtores desses recursos naturais vegetais, além do desenvolvimento da produção científica, projetos de inovação e mão de obra qualificada.”
Funcionamento do INCT

“Eu costumo sempre dizer, não existe nada mais interdisciplinar do que o tema alimentação. Nós temos, na Universidade, pessoas trabalhando nesse tema, olhando os mais diferentes ângulos. No ano de 2013 foi criado o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid), que depois se transformou nos CEPIx, o que foi essencial para a criação dessa rede de pesquisa que vinha sendo montada.”
A coordenadora do projeto complementa dizendo que a iniciativa tem parcerias, além de com as outras unidades da USP, com grandes empresas do setor de alimentos. “Não são grandes multinacionais, mas empresas que trabalham com a parte da biodiversidade do País e exploram esse elemento em prol do bem-estar alimentar da população.”
O novo INCT funciona a partir de três plataformas de pesquisa, a primeira focada nos estudos biológicos e sustentáveis dessa biodiversidade, principalmente a vegetal; a segunda explorando a aplicação biotecnológica desses componentes; já a terceira, considerada a mais inovadora, estuda os impactos econômicos e socioambientais do aproveitamento desses recursos naturais para o benefício da população. O projeto atende, por enquanto, a dez dos 20 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU.
Inclusão social e parcerias de pesquisa
Outra questão importante comentada pela professora é a fomentação da inclusão social com a sustentabilidade para o desenvolvimento de mais projetos futuros. “É muito necessário, não só do ponto de vista tecnológico, mas social também. Pode ser uma fonte interessantíssima de novas moléculas, substâncias, alimentos, aplicações e de uma inovação no setor de alimentos como há muito tempo não se vê.”
Além disso, a iniciativa de unir pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento para o projeto visa a deixar o estudo o mais completo e inovador possível, cruzando as fronteiras do conhecimento. “O nosso objetivo é realmente colocar a USP no grande panorama do agronegócio, da ciência, tecnologia e engenharia de alimentos, em nível mundial, porque nós temos competências inacreditáveis nesta universidade. A USP tem forças importantíssimas que podem promover o desenvolvimento do conhecimento nessa área, e por que não, o desenvolvimento do nosso país também”, finaliza Bernadette.
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