Paula lembra que há na cidade outra banda tão antiga quanto a corporação da Lapa, que é a Banda da Força Pública, e que ainda está em atividade. “A Banda da Lapa se apoiou na tradição do calendário festivo católico. Aliás, a maioria delas assim procedeu”, aponta. “Essas bandas conduziam, e ainda ainda conduzem, procissões, tocam em festas de padroeiras e em outras datas importantes para o catolicismo, como festas do Divino, festas de São João, de Santo Antônio e por aí vai.”
Atualmente, a corporação musical tem cerca de 20 integrantes. Mas esse número varia, já que o critério para participação é a adesão voluntária, segundo a autora do estudo. “A maioria dos músicos é formada por trabalhadores. As mulheres passaram a integrar o corpo musical a partir dos anos 1990”, lembra Paula, salientando que o grupo é mantido e autogerido pelos seus integrantes desde os seus primórdios. “A banda se mantém, em parte, com a renda obtida dos cachês das apresentações. Mas são cachês muito modestos. Por conta disso, a corporação é bancada, em grande parte, pelos próprios integrantes”, destaca. “Os componentes assumem as despesas com a sede própria, com cópias de partituras e com deslocamentos da banda pela cidade para as apresentações. Há também a manutenção com os instrumentos musicais”, lembra Paula.


