A paixão virtual não é imune a riscos, porque a gente entrega os nossos corações àquilo que não é humano
Por Paulo Capuzzo
O crescimento da inteligência artificial é explosivo no mundo todo, penetra na economia, na sociedade e agora invade também áreas da nossa intimidade. Esse é o tema da coluna do professor Glauco Arbix, que fala aqui sobre aqueles chatbots que conversam conosco em plataformas como Character.AI, Anima Réplica e similares. Eles não só conversam como oferecem amizade, companheirismo, agindo como se fossem humanos, “apesar de serem fruto de estatística e de muita engenharia. Para a gente ter uma ideia de como esses aplicativos funcionam, é muito grande o número de usuários que enfatizam o grau de afetividade, de concordância, que esses chatbots dispensam para a gente. Eles estão o tempo todo falando que nós somos ótimos, escondem os nossos defeitos, estão nos reforçando o tempo todo, exatamente quase que o contrário do mundo real. Algumas vezes eles avançam o sinal e partem para diálogos mais amorosos, mais intensos, que levam pessoas desavisadas ou despreparadas, ou mais vulneráveis, a se aproximar e mesmo se apaixonar por esses companheiros virtuais”.
Arbix considera que há vantagens nesse amor controlado, porque ele se distancia das rejeições e de todo tipo de sofrimento. “Mas essa paixão virtual não é imune a riscos, porque a gente entrega os nossos corações àquilo que não é humano. Nós fazemos isso o tempo todo. Todo mundo aqui adora seus gatos, cachorro, a boneca preferida, ursinho de pelúcia, o problema está em quando a gente cruza aquela linha que não pode ser cruzada, ao buscarmos o conforto no não humano, no amor seguro, na disponibilidade infinita, na bajulação permanente, talvez essas amizades metálicas, chamadas os algoritmos do amor, que acalmam dor e solidão, mas elas não deixam de reduzir a complexidade da vida, de constranger nossas paixões e de diminuir todo o esforço que nós temos que fazer para superar os nossos medos, os nossos desequilíbrios, vencer as nossas incertezas, que é exatamente aquilo que molda a nossa existência”, conclui.
Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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