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Professor da USP é novo titular da Academia Brasileira de Medicina Veterinária  – Jornal da USP


Adroaldo José Zanella, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, assumiu a cadeira 22, reconhecido por suas contribuições à medicina veterinária brasileira

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Homem branco de meia idade, cabelos castanho escuro e óculos com terno e gravata
Adroaldo José Zanella, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, é novo titular da Academia Brasileira de Medicina Veterinária – Foto: Divulgação/FMVZ

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A Academia Brasileira de Medicina Veterinária (Abramvet) realizou a cerimônia de posse de novos acadêmicos titulares na última sexta-feira, dia 26 de setembro, na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. Foram empossados 11 novos titulares, entre eles o professor e pesquisador Adroaldo José Zanella, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP. Ele vai ocupar a cadeira de número 22, que tem como patrono Antônio Teixeira Vianna, que foi pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na Fazenda Canchim, onde desenvolveu uma raça de gado denominada Canchim nos anos 1930. Os membros titulares são escolhidos a partir de análise de suas contribuições à medicina veterinária brasileira.

Em seu discurso o professor contou como seu destino cruzou com a Academia, em 1991, quando ele apresentou sua pesquisa de doutorado inédita sobre o impacto de efeitos ambientais nos receptores de opioides em cérebro de suínos, no Congresso Mundial de Veterinária do Rio de Janeiro, onde conheceu o professor Josélio de Andrade Moura, presidente da Abramvet, e o saudoso Milton Thiago de Mello, que atuou de forma ativa na pesquisa e análise de temas relacionados ao bem-estar animal, meio ambiente e animais silvestres, principalmente primatas. O professor da USP cita também a importância da revista A Hora da Veterinária, conduzida por 34 anos por Alcy Cheuiche, orador da academia. 

“A minha cadeira 22 tem como patrono o professor Antônio Teixeira Vianna, cuja história de vida representa um enorme legado para a profissão. Nascido na Bahia, completou o curso de Medicina Veterinária em novembro de 1917, sendo parte da primeira turma de veterinários do Brasil. Ele fez parte de sua carreira muito próximo de onde eu trabalho, na cidade de São Carlos, na unidade que é hoje a Embrapa Pecuária Sudeste. Os meus estudantes visitam todo o ano a unidade da Embrapa e também o Parque Ecológico de São Carlos que tem seu nome, e foi criado quando o mesmo era prefeito da cidade”, contou Zanella. 

Para  o professor, a Academia Brasileira de Medicina Veterinária está em uma situação única para contribuir com temas de importância global, relevantes para a sobrevivência da espécie humana. “Temas com a saúde planetária, hoje representada pelo risco das mudanças climáticas, devem estar presentes nas nossas discussões. A COP30, que vai acontecer em novembro, no Pará, espera médicos veterinários para abordar questões ligadas a doenças emergentes, zoonoses, proteção da biodiversidade, produção sustentável de alimentos e tantos outros assuntos relevantes. Espero estar contribuindo com discussões que antecedem o evento no Pará”, declarou. 

“Estamos no país com a maior biodiversidade do globo, com reservas florestais que excedem 496 milhões de hectares, que equivale a 58,3% do seu território de acordo com Sistema Nacional de Informações Florestais. Esta riqueza inigualável de biodiversidade divide espaço com um agronegócio que segundo os dados da Confederação Nacional da Agricultura vai participar com 29,4% do PIB brasileiro em 2025, contrastando com 23,5% registrados em 2024. O PIB do agronegócio brasileiro pode alcançar R$ 3,79 trilhões em 2025, sendo R$ 2,57 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,22 trilhão no ramo pecuário”, informou, acrescentando que o Brasil lidera a produção bovina e de aves no mundo, e está em quarta posição na produção de suínos. “O médico veterinário precisa atuar para manter uma produção de alimentos sustentável, garantindo que a nossa riqueza de biodiversidade esteja disponível para futuras gerações.” 

Além disso, Zanella lembrou da “pandemia silenciosa”, a RAM –  Resistência Antimicrobiana, uma das ameaças mais urgentes à saúde pública global do século 21. Segundo ele, ela poderá potencialmente exceder todas as outras causas de mortalidade em todo o mundo. “O uso irresponsável de antibióticos, em diversos contextos, predominantemente em tratamento clínico, crises de guerra e no sistema alimentar e especialmente na medicina veterinária está colocando em risco a eficiência destes fármacos. Veterinários em diversas partes do mundo nas últimas três décadas têm demonstrado que é possível operar com segurança nesta importante área. O Brasil está abordando este tema com muitos desafios. Precisamos nos engajar mais neste tema”, destacou.

O professor ainda usou a famosa frase Louis Pasteur, responsável pelo desenvolvimento das vacinas antirrábica, cólera aviária e criação do processo de pasteurização para resumir a responsabilidade histórica com a medicina veterinária. “Ele afirmou que ‘a medicina cura o homem e a medicina veterinária cura a humanidade’, enfatizando a ligação crucial entre a saúde animal e humana por meio da prevenção de doenças zoonóticas”, citou o professor. Para ele, é fundamental que o ensino de qualidade em medicina veterinária seja consolidado nas escolas, com ferramentas que promovam a comunicação com a sociedade civil. 

Trajetória

O professor Adroaldo José Zanella é formado pela PUC do Rio Grande do Sul (1983), fez doutorado em Bem-Estar Animal pela Universidade de Cambridge, Reino Unido (1992), com pós-doc na Ludwig-Maximilians-Universität München (Alemanha, 1992-1996), com ênfase para o desenvolvimento de métodos não invasivos para a mensuração de estresse em diferentes espécies de animais domésticos e selvagens. Em 1996, criou o Programa de Comportamento e Bem-Estar Animal na Michigan State University, um dos mais influentes do mundo, obtendo experiência adicional na área de ensino na graduação e pós-graduação. 

Em 2006, assumiu a cátedra de bem-estar animal na Norwegian School of Veterinary Science em Oslo, Noruega, onde criou o programa de ensino e pesquisa em bem-estar animal. Na Noruega estudou o impacto das interações humano-animal no período pré-natal e na organização do cérebro em cordeiros. Desenvolveu protocolos de avaliação de bem-estar e estudou problemas comportamentais em suínos. Em 2011 assumiu a Cátedra de Bem-Estar e Saúde Animal no Scotlands Rural College (SRUC) em Edimburgo, onde coordenou o projeto AWIN (www.animal-welfare-indicators.net), financiado pela União Europeia, para desenvolver protocolos científicos de avaliação de bem-estar animal. 

Em julho de 2013 ingressou na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP como professor de bem-estar animal. Em 2018 recebeu da World Veterinary Association Animal Welfare Award o Prêmio de Bem-Estar Animal por seus trabalhos no continente americano e a Medalha do Cinquentenário da Polícia Militar do Estado de São Paulo através do Comando de Policiamento Rodoviário por seus trabalhos relacionados aos estudos sobre prevenção e procedimentos operacionais padrão em acidentes com animais nas rodovias.

A academia

A Abramvet foi fundada em 1983 pela Resolução nº 424 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), como parte das Comemorações do cinquentenário da primeira regulamentação da Medicina Veterinária. É uma instituição de prestígio nacional que congrega médicos veterinários de destaque, responsáveis por contribuir com a ciência, a educação, a cultura e a valorização da profissão.

 



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