Novos volumes da série de livros de arte da Editora da USP (Edusp) abordam a obra de Sérgio Sister, Sergio Fingermann e Gustavo Piqueira
Por *Clara Hanek

A Coleção Artistas da USP – publicada pela Editora da USP (Edusp) desde 1995 – ganhou cara nova. Os três novos volumes da coleção – Sérgio Sister, Sergio Fingermann e Gustavo Piqueira – já contam com projeto gráfico reformulado, que prevê formato maior (23,5 cm x 26,5 cm), capa dura e equilíbrio entre textos e imagens. “Desta vez, a reformulação incluiu tamanho maior da mancha, capricho nas reproduções e, em especial, a inclusão de artes aplicadas por Gustavo Piqueira, que também idealizou o formato e a estética da coleção”, afirma o diretor-presidente da Edusp, professor Sergio Miceli. A coleção soma agora 26 volumes.
Dos novos títulos, Sérgio Sister será lançado neste sábado, dia 4, às 11 horas, na Galeria Nara Roesler (Avenida Europa, 655), em São Paulo, quando haverá uma conversa entre Sister, Miceli e o crítico de arte e professor da USP Tiago Mesquita. O lançamento de Sergio Fingermann ocorrerá no dia 25 deste mês, na Dan Galeria, também em São Paulo. Ainda não há data prevista para o lançamento de Gustavo Piqueira.
Criada por Sergio Miceli e pelo então diretor editorial da Edusp, professor Plinio Martins Filho, a Coleção Artistas da USP “apresenta uma retrospectiva da obra de destacados artistas contemporâneos que têm em comum a formação acadêmica na Universidade de São Paulo”, como explica a chefe da Divisão Editorial da Edusp, Cristiane Silvestrin. “O novo projeto atualiza o conceito da coleção.”
Sérgio Sister
O volume da Coleção Artistas da USP sobre Sérgio Sister contém três textos, assinados pelo crítico de arte e curador Felipe Scovino e pelas artistas Laura Vinci e Josée Bienvenu. Sister chama o livro de “álbum visual”. As peças reproduzidas foram selecionadas pelo próprio artista. Na introdução, Sister explica que propôs não só utilizar trabalhos que indicam momentos do seu percurso nas últimas décadas, mas também as realizações mais recentes. A edição é bilíngue. Os títulos e descrições das obras estão disponíveis em português e em inglês.

Sister descreve o livro como uma oportunidade de fazer um registro do seu trabalho da maneira que gosta: “Um objeto impresso, que pode ser manuseado, página por página, como um álbum para o qual se escolheu uma sequência”. Ele completa lembrando que esse suporte permite dar “mais ritmo e legibilidade às ideias visuais e ao ambiente em que elas foram expostas”.
Sérgio Sister é jornalista e artista plástico. Ele iniciou seu aprendizado em artes no ateliê da artista e crítica Ernestina Karman, em 1964. Depois, fez curso na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo. Começou a exercer o jornalismo e, em 1968, ingressou no curso de Ciências Sociais da atual Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
Deu início à sua produção artística durante a ditadura militar (1964-1985). Sua militância política o levou à prisão pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops) de São Paulo, em 1970. Passou 19 meses em cárcere. Durante esse período, participou de oficinas de pintura no Presídio Tiradentes, também em São Paulo. Seus registros da época se materializaram em séries de desenhos. A vida artística profissional se deu de fato em 1983, com uma exposição na Galeria Paulo Figueiredo.
Sergio Fingermann
Já no volume que será lançado no dia 25, as reproduções de obras de Sergio Fingermann são acompanhadas por texto do professor Agnaldo Farias, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP, e uma entrevista feita por Laura Aguiar.

No livro, Farias conta que Fingermann frequentava o apartamento de Tarsila do Amaral quando criança. Em 1963, a artista se mudou para o prédio em que ele morava, no bairro paulistano de Higienópolis. Ela, já senhora, convidava o menino — na época, com 10 anos — para lanches e para desenhar à tarde. Ainda na adolescência, Fingermann teve aulas também com Ernestina Karman, que o introduziu aos fundamentos da pintura. Mais tarde, participou do grupo de estudo de Yolanda Mohalyi, artista romena formada na Hungria.
Entre 1973 e 1974, foi orientado por Mario de Luiggi e Mark di Suvero na Universidade Internacional de Arte, em Veneza, na Itália. De volta ao Brasil, o artista se graduou arquiteto pela FAU. Construiu seu repertório poético ao frequentar ateliês de gravura e ter contato com diferentes artistas. Abriu o seu próprio ateliê com Arnaldo Pappalardo, fotógrafo, e Mario Fiore, pintor. Ali começou a ministrar aulas de modelo vivo e gravura, além de desenvolver a sua própria obra.
Durante a recente pandemia de covid-19, conquistou seguidores de vários países ao dar aulas em formato de live (transmissão ao vivo), em que relacionava artes plásticas às outras artes – música, teatro e literatura, entre outras. “Quero mostrar que as linguagens têm um ponto de conexão e que, muitas vezes, recorrendo a um outro vocabulário, você alcança mais profundidade e densidade”, diz o artista, na entrevista. Ele permanece fazendo lives semanais. Sobre a “comunidade dos artistas que estudaram com Sergio”, ele completa: “Pensando bem, eu sou uma escola: uma escola de um cara único fazendo seu trabalho”.
“Sergio Fingermann defende que o papel da arte, no seu caso, pinturas e gravuras, não transcreve o mundo, mas rivaliza com ele”, escreve Agnaldo Farias no livro.
Gustavo Piqueira
Gustavo Piqueira também é formado pela FAU, em 1995. Um dos designers gráficos mais premiados do País, pesquisador e escritor, tem mais de 40 livros publicados, nos quais, de acordo com o crítico de arte e curador Adolfo Montejo Navas, que assina os textos e a coorganização do volume Gustavo Piqueira, “mistura livremente texto e imagem, ficção e não ficção, design, história e tudo mais que encontrar pelo caminho”.

No volume, foram reunidas obras de diferentes momentos da carreira de Piqueira, coloridas e com elementos variados. O artista explora as diversas áreas do design gráfico. O livro é divido em seções: A Gráfica Protagonista, Grafias Errantes, Outras Grafias, Subversões, Brasiliana e Gráfica Expansiva.
Adolfo Navas define a arte de Piqueira como profundamente gráfica e “uma reflexão sobre a cultura da imagem”. O crítico ainda analisa que, no volume da Coleção Artistas da USP, a “obra prolífica” de Piqueira ganha “uma ideia de arte que transborda, se multiplica ainda mais, antenada com a cultura visual das vanguardas do século 20 e ao mesmo tempo com a genealogia histórica do passado, sejam eruditas, populares ou comerciais”.
Como um encarte do volume Gustavo Piqueira, o escritor, editor e artista gráfico Sebastião Nunes produziu um “prefácio” do livro, intitulado Quem Inventou Gustavo Piqueira? Quem Foi Que Gustavo Piqueira Inventou?. Nele, Nunes descreve Piqueira como “nosso mais importante artista intersemiótico”.
O volume Sérgio Sister, da Coleção Artistas da USP, da Editora da USP (Edusp), será lançado neste sábado, dia 4, às 11 horas, na Galeria Nara Roesler (Avenida Europa, 655, Jardim Europa, em São Paulo). Na ocasião, será realizada uma roda de conversa entre Sérgio Sister, o diretor-presidente da Edusp, professor Sergio Miceli, e o crítico de arte e professor da USP Tiago Mesquita. Entrada grátis. Não é preciso fazer inscrição.
* Estagiária sob supervisão de Marcello Rollemberg e Roberto C. G. Castro



