“Pela Lei de Segurança Nacional, quando você fazia uma crítica às autoridades, como o presidente, ela era proibida mesmo que você pudesse provar que era verdadeira”, explica Tonico. Não havia muita saída para o diretor, e ele quase foi preso. Mas as discussões sobre a anistia já estavam acontecendo e seu processo acabou não seguindo adiante. “De certa forma, fui anistiado”, analisa.
Inserido em um campo da imprensa alternativa que já tinha visto surgir, em 1969, o humorístico O Pasquim e, em 1972, o Opinião, mais centrado em artigos, Movimento se destacou por seus esforços de reportagem – sobretudo ao retratar os problemas do País, como a fome, o crescimento da dívida externa e o aumento dos juros e da inflação. A preocupação com a condição de vida da classe trabalhadora brasileira era uma das bandeiras levadas pelo jornal. “Ele mostrava que o País estava em crise econômica e também não deixava de analisar as posturas ditatoriais do governo”, afirma Azevedo.
Na época do lançamento do jornal, Azevedo era militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e vivia na clandestinidade. Muito amigo de Raimundo Pereira – que conheceu na revista Realidade –, colaborou com o jornal lançando mão das estratégias que pôde. Era através das esposas de ambos que se encontravam periodicamente, que Azevedo recebia suas pautas e mandava as matérias que seriam publicadas no Movimento. Algumas sem assinatura, outras com o nome de colegas da redação ou pseudônimos. A colaboração seguiu até 1979, quando Azevedo já havia saído da clandestinidade.
“O jornal foi fruto de uma mobilização que reuniu milhares de pessoas”, lembra Azevedo. Graças ao seu programa editorial, que defendia as liberdades democráticas, a melhoria das condições de vida do povo, a soberania nacional e os recursos naturais do País, Movimento conseguiu mobilizar muita gente, recorda. “Todo mundo da área democrática que estava ali, sob a ditadura, mas já organizando uma ampla frente democrática.”
Movimento também pautou a luta pela redemocratização, defendendo uma Assembleia Nacional Constituinte livre, e fez campanha pela anistia aos exilados e presos políticos. Uma das chamadas encontradas nas páginas do jornal sintetiza seus ideais: “Leia, assine e divulgue Movimento: em defesa das liberdades democráticas, da independência nacional e da elevação do padrão de vida dos trabalhadores”.


