segunda-feira, maio 18, 2026
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Estudo com mulher que viveu 117 anos traz informações que podem ajudar a entender a longevidade – Jornal da USP


Pesquisa mostra associação entre variantes genéticas vantajosas, metabolismo lipídico saudável, níveis baixos de inflamação, entre outras coisas

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Recentemente, a revista Cell Reports Medicine publicou um artigo descrevendo vários estudos realizados em uma super centenária que viveu 117 anos. A pesquisa mostra uma associação entre variantes genéticas vantajosas, um metabolismo lipídico saudável, níveis baixos de inflamação, uma composição rejuvenescida da microbiota intestinal e uma idade epigenética muito mais jovem que sua idade biológica.

Sabendo do projeto do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CELL) da USP que estuda centenários, a revista Nature pediu para Mayana Zatz comentar o estudo.

“Me chamou a atenção que, apesar de ser um estudo de uma única mulher, o artigo é assinado por 47 autores”, explica a diretora do CEGH-CELL. “Achei ótimo porque foi uma oportunidade de comparar o perfil dessa super centenária com os nossos.”

O estudo genômico identificou sete variantes raras em homozigose, ou seja, em dose dupla na mulher que não estavam presentes nos bancos genômicos da população europeia. Essas variantes estariam associadas à função imunológica e preservação da cognição, longevidade, doença autoimune e câncer, além da função pulmonar, doenças cardíacas e envelhecimento cerebral. “Precisamos verificar se elas estão também presentes nos nossos super longevos e ausentes no banco genômico da nossa população. De qualquer modo, elas corroboram a hipótese segundo a qual a longevidade depende de uma herança complexa, com contribuição de vários genes”.

Os pesquisadores também observaram, ainda, que ela tinha os telômeros (estruturas que ficam na ponta dos cromossomos) extremamente curtos, o que foi uma surpresa, porque sabemos que o tamanho dos telômeros diminui com a idade. Por outro lado, os autores especulam que isso poderia representar uma proteção contra o câncer, porque nas células tumorais os telômeros ficam alongados.

O que também chamou a atenção da geneticista é que o perfil desta senhora é muito diferente dos supercentenários envolvidos no projeto do Genoma. “Em primeiro lugar, ela é europeia, enquanto os nossos super longevos são miscigenados com ancestralidade  europeia, africana e indígena”, relata. “Será muito interessante verificar se os resultados observados na super longeva também estão presentes na nossa coorte de super idosos, apesar de terem um perfil tão diferente”, finaliza.


Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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