Renata Levy comenta pesquisa – com mais de 115 mil participantes em todo o País – que investiga como o padrão alimentar do brasileiro se relaciona com o desenvolvimento de doenças crônicas

O NutriNet Brasil completa cinco anos reunindo mais de 115 mil participantes em todo o País. Conduzido pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o estudo busca compreender como o padrão alimentar dos brasileiros se relaciona com o desenvolvimento de doenças crônicas. Inspirado no modelo francês NutriNet Santé, o projeto brasileiro nasceu com o objetivo de gerar evidências nacionais, considerando a diversidade regional da alimentação no País. “A ideia era olhar para o padrão alimentar brasileiro e ver o quanto ele se associa à ocorrência de doenças crônicas na nossa população”, explica Renata Levy, uma das coordenadoras do estudo e pesquisadora do Nupens e do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina (FM) da USP.
Padrões alimentares e saúde
O estudo é totalmente online e com participação voluntária. A cada três meses, os inscritos respondem questionários curtos sobre alimentação, saúde e estilo de vida, permitindo que os pesquisadores acompanhem os participantes ao longo dos anos. “A gente vai seguindo essa pessoa a vida toda”, conta Renata. Segundo ela, o acompanhamento prolongado permite identificar não apenas doenças frequentes, mas também condições mais raras, observadas em períodos maiores de tempo.

Para a pesquisadora, o avanço da epidemiologia nutricional tem transformado a forma de estudar a relação entre alimentação e saúde. “Hoje em dia a gente fala de padrão alimentar, porque a alimentação é mais do que um alimento isolado”, afirma. Renata ressalta a importância de pesquisas locais, já que o modo de comer dos brasileiros é único. “A combinação de arroz, feijão, salada e verdura é muito própria do Brasil. E ainda varia entre regiões — o feijão pode ser preto, marrom ou branco”, exemplifica.
Ciência e formação
Além da produção científica, o NutriNet Brasil também cumpre um papel formativo. “Estamos dentro de uma universidade, e um dos pilares é a formação. Então, para nós, é importante gerar conhecimento, mas também formar pessoas”, explica a pesquisadora. O estudo envolve alunos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, que participam tanto da coleta quanto da análise de dados, resultando em artigos, dissertações e teses.
Renata destaca ainda o caráter independente e público do financiamento do projeto, apoiado por instituições como a Fapesp, The City e Humani. “Toda a pesquisa desenvolvida no núcleo é feita com dinheiro sem conflitos de interesse, o que nos permite fazer ciência com qualidade e independência”, afirma.
Por fim, a pesquisadora convida novos voluntários a participarem do estudo. “Quem quiser contribuir com a pesquisa científica brasileira pode entrar no site do NutriNet Brasil e se cadastrar. É simples e muito importante para o País”, conclui.
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