segunda-feira, maio 18, 2026
HomeSaúde física e emocionalSanguessugas viviam no mar, não sugavam sangue e são mais velhas do...

Sanguessugas viviam no mar, não sugavam sangue e são mais velhas do que se pensava – Jornal da USP


Os dois foram chamados pelo professor Nanglu para examinar o fóssil devido à ampla experiência da dupla com sanguessugas. “Há vídeos no YouTube de sanguessugas sugando todo o líquido de um caracol. Eu não sei se você já teve essa experiência de ter uma sanguessuga grudada em você, é muito legal”, diz Iwama. Segundo o pesquisador, as hematófagas se alimentam apenas uma vez por ano, podendo viver de três a quatro anos em qualquer ambiente úmido. “Só não se encontra no gelo.”

Ele lembra, porém, que quando há sanguessugas muito tolerantes a ambientes com pouco oxigênio, a espécie serve como um marcador negativo da qualidade da água. O especialista também desaconselha o uso de sanguessugas para qualquer tratamento fora do ambiente hospitalar. “Isso pode até ser perigoso, porque se você tira essa sanguessuga de uma forma abrupta, ela pode regurgitar e transmitir alguma bactéria.”

De acordo com o pesquisador, sanguessugas são modelos interessantes de análise para estudos da neurociência, já que elas têm um número reduzido de neurônios, mas de grandes dimensões. “Algumas décadas atrás, alguns laboratórios usavam esse modelo por ser fácil observar a informação nervosa passando pela célula”, conta.

Segundo Danielle, outra curiosidade das sanguessugas é que membros do gênero Haemopis, por exemplo, alimentam-se de presas vivas. “Basicamente qualquer animal pequeno o suficiente para caber em suas bocas ou cadáveres em decomposição”, detalha. “E membros do gênero Praobdellidae foram observados alimentando-se de fluidos corporais de caranguejos nas áreas de membrana mole, entre as placas de seus exoesqueletos”, apontando que nem toda sanguessuga suga sangue. Nem mesmo as atuais.

O artigo The first leech body fossil predates estimated hirudinidan origins by 200 million years está disponível on-line e pode ser lido neste link.

Mais informações: danielle.decarle@utoronto.ca, com Danielle de Carle; eiji.iwama@gmail.com, com Rafael Iwama; e karma.nanglu@ucr.edu, com Karma Nanglu



Fonte