domingo, maio 17, 2026
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Nobel das áreas de ciências valoriza a importância cada vez maior da pesquisa – Jornal da USP


Numa época em que muitos governos cortam financiamento científico em nome da eficiência, o Prêmio Nobel de 2025 valorizou a exploração capaz de abrir caminhos para lugares que ainda não conseguimos ver

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O professor Glauco Arbix trata em sua coluna do Prêmio Nobel para Física, Química e Medicina, recém-anunciados. Ele destaca que todos os trabalhos foram realizados há décadas e não estão relacionados a nenhuma tecnologia ou ferramenta em particular. Mais do que isso, os três ganhadores do Prêmio Nobel de Física, por exemplo, desvendaram propriedades da mecânica quântica, teoria que descreve como o universo subatômico se comporta. Após o prêmio, nas entrevistas, declararam que, na época, não entendiam e até hoje têm ainda dificuldade para perceber a importância do trabalho deles. O mesmo aconteceu com os ganhadores do Nobel de Medicina, que declararam não ter clareza sobre o que estavam fazendo há 40 anos. “O conhecimento que eles revelaram levou a avanços no tratamento do câncer. Hoje dão a base para estudos clínicos que estão ainda em andamento. Na química foi a mesma coisa”, diz o colunista.

“Veja, pesquisas fundamentais da chamada ciência básica às vezes duram décadas, mas podem abrir caminhos para tecnologias revolucionárias, para tratamentos e medicamentos inovadores.
Como elas nem sempre são feitas para atender às necessidades imediatas do mundo real, elas entram em choque com a lógica mais comum das pessoas, que enfatizam o retorno previsível de qualquer investimento. Tem que ter retorno. O problema é que a ciência não funciona assim. Muita pesquisa movida à curiosidade, sem fins claros, essas pesquisas lançaram as bases para a nanotecnologia, para a física, para a eletrônica e para a inteligência artificial moderna. A pesquisa que vai em busca dos porquês, dos fundamentos é a que põe de pé os alicerces do conhecimento”, observa Arbix. “A gente só descobre o poder da curiosidade e da imaginação quando a gente olha para trás, para o passado, porque é impossível prever quando e onde uma nova tecnologia vai surgir quando se faz pesquisa básica. Porque o conhecimento se acasala com outras descobertas, ele namora ideias, ele faz junções não previstas, inesperadas e muitas não desejadas, que nasce da insistência, da perseverança. Por essa razão, nos centros de pesquisa, pesquisa básica, a pergunta sobre utilidade não tem muito sentido. Numa época em que muitos governos cortam financiamento científico em nome da eficiência, o Prêmio Nobel de 2025 valorizou a exploração capaz de abrir caminhos para lugares que ainda não conseguimos ver”, finaliza.


Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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