domingo, maio 17, 2026
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O combate à acne e o desenvolvimento de vacinas para eliminar o problema – Jornal da USP


Novo estudo publicado na revista “Nature” relata desenvolvimento de vacinas para a acne, visando a resolver o problema mais rapidamente

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Imagem da parte de baixo do rosto de uma mulher, que segura o queixo com uma das mãos para mostrar o surgimento de acnes em sua face
“A acne é extremamente frequente, admite-se que 70%, 80% dos indivíduos vão ter algum grau de acne durante a vida – Foto: Kjerstin Michaela Haraldsen via Flickr – CC
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Recentemente foi realizada uma pesquisa pela revista científica Nature sobre o desenvolvimento de duas vacinas candidatas que visam a envolver o sistema imunológico no combate à causa subjacente da acne. A acne é uma doença inflamatória da pele causada pela obstrução dos poros devido ao excesso de oleosidade, células mortas e bactérias, o que resulta em cravos, espinhas e, em casos mais graves, cistos e lesões. O estudo dessa doença é muito importante, considerando que é muitas vezes associada apenas como uma questão de pele, ligada à puberdade e à higiene e não como uma doença que afeta milhões.

A dermatologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) Maria Cecília Rivitti comenta a respeito da doença e como ocorre sua proliferação. “Acne é uma doença inflamatória da pele, que ocorre em pessoas que têm uma predisposição genética. Ela é favorecida por alguns fatores epigenéticos, ou também chamados de ambientais, que são principalmente o tabagismo e o estilo de vida moderno com alimentação muito rica em carboidratos.”

Maria Cecília Rivitti Machado – Foto: Arquivo Pessoal

“É uma doença da unidade pilossebácea, então, do folículo piloso e da glândula sebácea. Por influência seja de hormônios que acontecem na puberdade, de medicamentos, de padrões de alimentação, que são ricos em carboidratos, ocorrem modificações do folículo piloso, aumentando a produção sebácea. Isso cria um microambiente do folículo no qual as bactérias, que são parte da microbiota normal, a principal delas, o Cutibacterium acnes, proliferam. Esse microambiente, então, favorece a proliferação do Cutibacterium acnes e ocorrendo depois o processo inflamatório”, completa a dermatologista.

“A acne é extremamente frequente, admite-se que 70%, 80% dos indivíduos vão ter algum grau de acne durante a vida. Por ela ser uma doença tão comum, ela pode ser tratada pela indústria cosmética e pela parte não médica como se não fosse uma doença.”

Impactos da doença

As formas mais comuns da acne ocorrem principalmente na adolescência e no começo da vida adulta. Como ocorre nesse período de crescimento e desenvolvimento das pessoas, a doença abre caminho para problemas não só físicos, como lesões, mas também impactos psicológicos. “É o período em que a personalidade da pessoa está em formação. Então a acne pode deixar cicatrizes físicas e na personalidade da pessoa, mas que também não vão ser permanentes.”

Tratamentos atuais para acne

Os tratamentos para a acne dependem principalmente da gravidade da doença no indivíduo, podendo utilizar tratamentos tópicos (para aplicar na pele) e/ou orais. Dentre os remédios orais, os antibióticos, que têm uma ação anti-inflamatória, são do grupo da ciclina, e a isotretinoína. Já entre os tópicos, peróxido de benzoíla, os retinóides, ácido azelaico e niacinamida.

“Com as medicações que nós temos hoje em dia, existe um excelente controle da acne. O problema é que exige empenho do paciente, ele tem que se engajar no tratamento e a melhora vem ao longo do tempo. Então, embora os tratamentos que nós tenhamos sejam muito eficientes, eles não atendem totalmente ao desejo do paciente por uma solução rápida.”

Como funcionará a vacina

O desenvolvimento das vacinas pode oferecer uma defesa reforçada contra a doença, uma solução de longo prazo. “Vai ser injetado um RNA mensageiro encapsulado, que codifica instrução para o organismo fabricar uma substância da bactéria Cutibacterium acnes, após isso, o organismo começa a fabricar essa substância e depois começa a fabricação de anticorpos. Quando esses anticorpos estão circulantes, teoricamente, eles vão matar a bactéria produtora, que está envolvida na patogênese da acne.”

A dermatologista, entretanto, acredita que as vacinas entram no contexto do desejo das pessoas por um tratamento acelerado e também têm dúvidas sobre o funcionamento desse novo tratamento. ”O Cutibacterium acnes faz parte da microbiota do organismo, ele é um regulador da resposta imunológica de uma série de doenças. Uma tecnologia como essa, usando RNA mensageiro de substâncias da própria Cutibacterium, pode afetar todas essas bactérias do corpo humano, e isso pode ter repercussões sérias”, finaliza Maria Cecília.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzzo e Cinderela Caldeira


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