domingo, maio 17, 2026
HomeSaúde física e emocionalUSP participa de frente parlamentar que amplia combate à tuberculose em Ribeirão...

USP participa de frente parlamentar que amplia combate à tuberculose em Ribeirão Preto – Jornal da USP


Universidade integra iniciativa que une poder público e Rede-TB para fortalecer políticas e ampliar o diagnóstico precoce

Por

Profissional de saúde analisa uma radiografia de tórax, que mostra os pulmões com áreas esbranquiçadas indicativas de infecção
Através da radiografia de tórax é possível identificar os sinais de tuberculose pulmonar – Foto: Freepik
Logo da Rádio USP

A tuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, continua sendo um dos maiores desafios da saúde pública mundial. Embora antiga e tratável, a doença ainda preocupa. O Brasil ocupa a 19ª posição entre os países com mais casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A média nacional é de 37 casos por 100 mil habitantes e, em Ribeirão Preto, apesar de o índice ser um pouco menor, houve aumento no último ano, chegando a 30 casos por 100 mil habitantes. O número mantém o município entre os prioritários no enfrentamento da doença em São Paulo, conforme a Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (Rede-TB).

Duda Hidalgo – Foto: Arquivo Pessoal

Com esse cenário, Ribeirão Preto passa a contar com a Frente Parlamentar de Combate à Tuberculose, criada em parceria entre a Rede-TB, a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP e o poder público municipal. A iniciativa tem o objetivo de ampliar a conscientização, fortalecer políticas públicas e mobilizar diferentes setores para reduzir o impacto da doença na cidade. A proposta foi apresentada pela advogada formada pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP e vereadora Duda Hidalgo (PT), a partir de discussões no Comitê Municipal de Combate à Tuberculose.

A frente deve atuar em duas linhas principais: articulação política intersetorial e fiscalização das ações existentes. “A primeira é articulando e pressionando para que tenhamos políticas intersetoriais de combate à tuberculose. Já a segunda é fiscalizar e pressionar para que os programas já existentes avancem”, explica a vereadora. Segundo ela, a doença está intimamente ligada às desigualdades sociais. “A criação dessa frente é uma forma de colocar o tema no centro do debate político, mobilizando o legislativo para enfrentar não só a doença, mas também as causas sociais.”

Avanços e desafios no diagnóstico e tratamento

Para o professor Ricardo Alexandre Arcêncio, da EERP e presidente da Rede-TB, o País tem avançado em diagnóstico e tratamento. Um dos principais instrumentos é o Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), que substitui métodos mais antigos, como a baciloscopia. “O teste tem sensibilidade de cerca de 90% e fornece o diagnóstico em apenas duas horas. Além de identificar a infecção, ele mostra se a bactéria é sensível à Rifampicina, um dos principais medicamentos usados contra a tuberculose”, explica.

Os tratamentos também evoluíram. Antes, o regime durava de 12 a 18 meses, com adesão média de apenas 50%. “Agora, com a introdução do esquema BPAL, usado para casos de tuberculose multirresistente, o tempo de tratamento caiu para seis meses, com uso apenas de medicamentos orais, o que aumenta a adesão e melhora a qualidade de vida dos pacientes”, afirma Arcêncio.

Mônica de Arruda Rocha – Foto: Arquivo Pessoal

Em Ribeirão Preto, a coordenadora do Programa de IST, Tuberculose e Hepatites Virais, Mônica de Arruda Rocha, destaca a dificuldade de manter o acompanhamento em determinados grupos. “A maior preocupação é com pessoas em situação de rua, população de difícil adesão e continuidade no tratamento. Contamos com ONGs, equipes de consultório na rua e o Tratamento Diretamente Observado (TDO), mas muitas vezes não conseguimos manter o acompanhamento adequado”, relata.

A expectativa é que a união entre poder público, universidades, pesquisadores e sociedade civil permita que Ribeirão Preto avance no cumprimento das metas da OMS e da Agenda 2030, que preveem a redução de 90% na incidência e 95% na mortalidade por tuberculose até 2050.

Formação de profissionais de saúde

Ricardo Alexandre Arcêncio – Foto: Arquivo Pessoal

A Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, em parceria com a Rede-TB e a Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose do Ministério da Saúde, oferece um curso on-line de capacitação para enfermeiros, habilitando-os a prescrever o diagnóstico e o tratamento preventivo da doença. “Essa foi uma recomendação da Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, endossada pelo Conselho Federal de Enfermagem. A EERP assumiu a missão de qualificá-los, tornando-os referência nos Estados para o tratamento preventivo da tuberculose”, conclui Arcêncio.

Rede TB

Criada em 2001, no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Rede-TB surgiu a partir de dois Seminários Nacionais de Prospecção em Tuberculose, que impulsionaram sua criação e promoveram uma integração mais ampla nas ações de controle da doença. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos cuja missão é estimular a cooperação científica, tecnológica e social para aprimorar e acelerar o combate à tuberculose, com o objetivo de eliminá-la como problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Para isso, adota uma abordagem multidisciplinar e multi-institucional, além de manter parcerias internacionais, incluindo a cooperação com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre suas principais frentes de atuação, a Rede-TB realiza estudos epidemiológicos e clínico-laboratoriais em diversos grupos populacionais — como usuários de unidades básicas de saúde, pacientes hospitalares, pessoas em situação de vulnerabilidade, privados de liberdade e indivíduos vivendo com HIV/aids. Esses estudos buscam validar e apoiar a incorporação, no Sistema Único de Saúde (SUS), de novos diagnósticos, vacinas, medicamentos e regimes terapêuticos, desenvolvidos tanto pelos membros da rede quanto por parceiros nacionais e internacionais.

Além disso, a Rede-TB se destaca na formação de recursos humanos, no desenvolvimento e avaliação de novas tecnologias e na coordenação de esforços entre governos, sociedade civil, instituições de pesquisa, organizações internacionais e o setor privado, consolidando-se como um importante agente no enfrentamento global à tuberculose.

Informações do site da RedeTB

*Estagiária sob supervisão de Rose Talamone



Fonte