Imbuídos da missão de abrir esses espaços da USP a todas as pessoas, e apoiados pela própria Universidade, pela Fusp e por mais de duas dezenas de patrocinadores por meio da Lei Nacional de Incentivo à Cultura, o Museu do Ipiranga foi restaurado, ampliado e teve suas 12 exposições iniciais realizadas por uma ampla equipe interdisciplinar. Lideradas pelos docentes do museu, essas exposições se basearam em ao menos três décadas de pesquisas voltadas aos acervos institucionais, oferecendo perspectivas renovadas sobre a sociedade brasileira e paulista e sobre o papel dos artefatos como mediadores de processos sociais.
Para a reabertura da sede do Museu Republicano de Itu em 2023, ano de seu centenário, foram também formuladas exposições e publicações que documentam a progressiva expansão de suas coleções e abordagens em direção à complexidade da sociedade ituana e do Vale do Médio Tietê.
Respeitar a diversidade brasileira guia o Museu Paulista em duas direções complementares. Um primeiro caminho busca ampliar acervos e reinterpretar os já existentes para superar a missão inicial, vinda dos inícios do século 20, de narrar apenas a história das elites paulistas do período colonial e do Império e a pretendida compreensão de seu protagonismo na conformação dos destinos do território brasileiro. Desde a gestão de Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses, o Museu Paulista voltou-se aos diferentes segmentos sociais e étnicos que compuseram e compõem nossa sociedade, bem como às temáticas do imaginário nacional e paulista, à vida cotidiana e à construção de identidades, bem como às práticas e hierarquias das formas de trabalho. Tal diversidade social no passado brasileiro é tema e foco do museu, assim como a diversidade de seus visitantes no presente, cuja complexidade aponta para um segundo caminho de continuada dedicação e pesquisa a meios de comunicação – em exposições, publicações e ambientes virtuais – atentos à acessibilidade plena e a demandas específicas de cidadãos, em amplo espectro.
Abrir as portas ao público em nossos espaços expositivos em São Paulo e em Itu todas as semanas é, portanto, uma forma privilegiada de construir com os visitantes novas formas de reflexão sobre o passado brasileiro e sobre a interpretação histórica que a USP ali também realiza. É também dar visibilidade a extensos e continuados trabalhos curatoriais de conservação, catalogação, ação educativa, ação cultural e acesso virtual a coleções e pesquisas realizadas por nossa equipe, que conta agora também com o suporte da Fundação de Apoio ao Museu Paulista (FAAMP).
Nossas pesquisas, lideradas por uma equipe de nove docentes, envolvem ainda alunos de graduação em iniciação científica ou estágios, bem como mestrandos, doutorandos e pesquisadores em pós-doutorado que estudam nossas coleções e processos museológicos em estreito diálogo com diversas unidades e áreas científicas da USP, como a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU), o Instituto de Física (IF), o Instituto de Química (IQ), a Escola Politécnica (EP), o Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) e o Museu de Zoologia (MZ).
É parte desses resultados a razão de termos sempre nosso auditório de mais de 200 lugares lotado em todas as edições da série Encontro com a Pesquisa, que evidencia, mais uma vez, o papel dos museus estatutários da USP em apresentar nossas ações para a sociedade e, colocando nossas reflexões em questão, ouvi-la sobre novas perspectivas e desafios que podem e devem pautar a universidade pública.
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