Os experimentos foram realizados em camundongos machos. Para induzir a febre, os animais receberam injeções de lipopolissacarídeo (LPS), uma substância derivada de bactérias capaz de provocar inflamação; 30 minutos antes da aplicação do LPS, o canabidiol foi administrado por via intraperitoneal (cavidade abdominal). A partir disso, os pesquisadores acompanharam a temperatura corporal dos animais, registrada por meio de dataloggers – dispositivos eletrônicos autônomos que monitoram e registram automaticamente dados de um ambiente ou processo ao longo do tempo, como temperatura, umidade, tensão ou pressão, a partir de sensores externos ou internos – implantados na cavidade abdominal e medindo diferentes marcadores inflamatórios.
Foram analisados diferentes mediadores da inflamação, entre eles as citocinas – proteínas responsáveis por regular a comunicação entre as células de defesa do organismo. Entre as citocinas chamadas pró-inflamatórias, que estimulam o aumento da febre e da inflamação, estão o TNF-α, a IL-1β e a IL-6. Já a IL-10 atua de forma contrária, ajudando a reduzir a resposta inflamatória.
Também foram avaliados outros mediadores, como a PGE2, que desempenha papel direto no aumento da temperatura corporal, incluindo na região pré-óptica anteroventral (AVPO) do hipotálamo, considerada central para o controle da febre, e a corticosterona – hormônio ligado ao estresse que participa da regulação da inflamação e que está diretamente relacionado ao eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), que regula a resposta ao estresse e ao sistema imunológico. Por fim, os pesquisadores observaram ainda a produção de TNF-α no baço, órgão fundamental na resposta imunológica. “O objetivo era entender não apenas se o CBD poderia reduzir a febre, mas também quais mecanismos estavam envolvidos nessa ação”, completa o Siqueira Branco.
Apesar dos resultados positivos, o professor destaca que ainda existem limitações importantes. “O nosso estudo foi feito apenas em camundongos machos e com dose única da substância. Ainda precisamos avaliar os efeitos em fêmeas em modelos de inflamação crônica e, principalmente, em ensaios clínicos com humanos.”


