Carlos Eduardo Lins da Silva repercute declarações do sumo pontífice sobre a importância dos jornalistas em tempos de fake news e da capacidade da IA de substituir homens por máquinas

Nesta sua coluna, o professor Carlos Eduardo Lins da Silva trata basicamente de dois assuntos ligados ao papa Leão XIV: o primeiro diz respeito a um discurso recente no qual incentivou as agências internacionais de notícias a se manterem firmes contra as fake news. De acordo com o colunista, não é a primeira vez que o sumo pontífice menciona a importância da imprensa e dá força para os jornalistas. “Ele disse que jornalistas têm que ser uma parede contra o que chama de a antiga arte da mentira e da manipulação. E ele diz que jamais o trabalho dos jornalistas pode ser considerado um crime, o que é particularmente importante nesses dias de hoje, onde em vários países os jornalistas não são apenas perseguidos, como são processados e, com frequência, agredidos fisicamente e mortos, como tem acontecido tragicamente tanto em Gaza, principalmente, como na Ucrânia e no caso de agressões físicas nos Estados Unidos de Trump, onde os jornalistas são alvos, junto com manifestantes, em todas as demonstrações contra o governo em que aparecem no país.”
O papa também manifestou preocupação com a questão da inteligência artificial, o que remete ao que ocorre atualmente na Grã-Bretanha, cuja mídia sofre com uma ferramenta automatizada de relações públicas que atende pelo nome de Olivia Brown. Por 250 libras mensais é possível economizar com mão de obra humana. “Você pode pagar R$ 2 mil por mês e pode mandar embora um monte de relações públicas ou jornalistas que trabalham nas agências de relações públicas. E a Press Gazette, que é uma ótima newsletter de jornalismo da Grã-Bretanha, divulgou uma recente pesquisa que mostra como a imprensa britânica está perdendo credibilidade, entre outros motivos, por estar usando cada vez mais press releases sem muita checagem feita pelos jornalistas da sua redação”, o que, por outro lado, lembra o colunista, é um problema antigo no jornalismo. “Mas hoje em dia isso ganha uma nova dimensão, com a capacidade que os instrumentos de inteligência artificial tem. Essa Olivia Brown escreve os releases, escaneia os veículos que mais cobrem aquele tipo de assunto do release, descobre os nomes dos jornalistas que já escreveram alguma vez sobre aquele assunto, manda os releases para eles e faz um acompanhamento muito sistemático com eles, tanto os que respondem quanto os que não respondem, um trabalho que, como eles dizem na sua propaganda para as agências de relações governamentais e para os jornais, dá uma economia enorme de gente que não precisa ser empregada para fazer esse trabalho, que agora é feito de forma gratuita pela Olivia Brown.”
Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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