domingo, maio 17, 2026
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um raio X da saúde do paulistano​ – Jornal da USP


A Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP divulgou os primeiros resultados do Inquérito de Saúde no Município de São Paulo (Isa Capital 2024), um levantamento baseado em entrevistas com 5 mil moradores da cidade, produzido em colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

A proporção de pessoas com 10 anos ou mais de idade que relatou fumar foi de 14,2%, valor significativamente menor que 2003: 18,9% que 2008: 19,3%. No consumo de álcool, 27,5% foram classificados com consumo de risco e 4,5% como consumo de alto risco ou provável dependência (32%, na soma), considerando entrevistados com 12 anos ou mais. Entre a população adulta, 35,7% encontram-se com sobrepeso e 26,9% têm obesidade. Entre os idosos, 11,8% apresentam sobrepeso e 28,4% obesidade.

Entre os habitantes da cidade ouvidos pelos pesquisadores, 25% declararam ter apresentado algum problema de saúde nas duas semanas anteriores à entrevista, um aumento em relação ao último levantamento, feito em 2015, quando o índice foi de 18,8%. O número de casos relatados de diabetes e hipertensão entre pessoas com mais de 20 anos de idade foi de 11% e 26,3%, maior que os da primeira pesquisa, feita em 2003, de 4% e 17% “Não se trata necessariamente de um maior adoecimento, pode ser também a ampliação do acesso ao diagnóstico”, comenta Gizelton Pereira Alencar, professor da FSP, que apresentou os dados do estudo.

Como novidade, o questionário desta edição abordou o diagnóstico de covid-19, além de retratar como a pandemia impactou o ânimo e a saúde mental dos entrevistados. No levantamento, 35,8% dos paulistanos afirmam terem contraído a doença, e 97,4% disseram ter tomado a vacina contra o coronavírus.

Mais da metade das consultas médicas e internações na cidade de São Paulo por todos os problemas ou condições de saúde foram custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados pelos pesquisadores do projeto entre agosto de 2023 e dezembro de 2024. As perguntas abordaram as condições socioeconômicas, características da família e das moradias, ocorrência de doenças nos últimos quinze dias (morbidade), uso de serviços de saúde e medicamentos. A publicação com os resultados do Isa Capital pode ser consultada neste link.

“Não é simples você bater na casa das pessoas, num momento de pós-pandemia, no contexto de violência das grandes cidades, e conseguir que o morador abra a porta, que te escute, aceite ser convidado para a pesquisa e responder um questionário que não é curto, enfrentar recusa, enfrentar porta na cara, voltar duas ou três vezes para conseguir aquela entrevista”, conta a professora Zilda Pereira da Silva, da FSP, integrante da coordenação do Isa-Capital. “Sem esse trabalho dos entrevistadores, não há pesquisa”.



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