domingo, maio 17, 2026
HomeSaúde física e emocionalInquérito de Saúde da Capital paulista mostra que jovens são a maior...

Inquérito de Saúde da Capital paulista mostra que jovens são a maior proporção de atendidos pelo SUS – Jornal da USP


Parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e pesquisadores da área faz uma radiografia dos atendimentos prestados pelo SUS e a importância que representa para a saúde da população

Imagem do interior de uma unidade do SUS, na qual se vê a central de enfermagem ocupada por uma enfermeira sentada em sua cadeira
O SUS possui extrema importância não só no diagnóstico e tratamento de doenças, mas também em ações preventivas de saúde – Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
Logo da Rádio USP

O Inquérito de Saúde da Capital (ISA-capital) 2024, trabalho colaborativo entre a Secretaria Municipal de Saúde e pesquisadores da área de saúde pública, divulgou que o Sistema Único de Saúde (SUS) cobriu 57,6% das despesas de saúde da população paulistana, 15.172 domicílios da capital, sendo que jovens entre 10 e 19 anos apresentaram a maior proporção de atendimento, ultrapassando 67% das consultas financiadas pela rede pública, inclusive mais que os idosos, com 54,4% dos atendimentos. Dos que responderam ao inquérito, 85%, realizaram ao menos uma consulta médica nos últimos 12 meses e 57,3% pelo SUS. Em relação às internações e cirurgias, 56,2% também fizeram através do SUS.

A professora Marília Louvison, do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP e membro do grupo de pesquisadores do levantamento, comenta a respeito do alcance do SUS. “O resultado do inquérito é algo que nos deixa bastante felizes, do ponto de vista do tamanho que tem o nosso sistema de saúde. Ele responde pela maior parte da utilização dos serviços e também pelas internações. O uso do SUS foi hegemônico e prioritário, 85% da população que fez uma consulta no último ano, mais da metade foi pelo SUS.”

Marília Cristina Prado Louvison – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O que pode ser melhorado?

“A grande dificuldade é o subfinanciamento, a falta de recursos públicos para garantir o tamanho que isso precisa ter. O grande recado dessa pesquisa é o quanto a população precisa do SUS, que é um direito constitucional depender desses serviços e a importância de se ampliar a capacidade instalada. Os hospitais precisam melhorar a qualidade, não só em relação a ter o serviço, mas disponibilizar adequadamente.”

Marília destaca que, apesar do subfinanciamento, o SUS tem a capacidade de superar as dificuldades. A disponibilização de mais dados, como da pesquisa, e envolvendo populações específicas em relação à renda, raça e gênero, pode ajudar a identificar lugares com vazios assistenciais, onde o uso do sistema apresenta maior dificuldade de cobertura.

Diferentes demandas

“São muito frequentes as dúvidas sobre a capacidade de atendimento das necessidades dos jovens, que se modificaram muito nos últimos tempos e também se exacerbaram no pós-pandemia, questões envolvendo, por exemplo, saúde mental e transtornos do espectro autista. Apesar de usarem menos o SUS na totalidade, proporcionalmente os adolescentes usam mais, isso indica que o sistema está conseguindo responder a essas demandas.”

Por outro lado, os idosos adquirem mais planos de saúde privados que os jovens, o que é um efeito da maior necessidade dessa população por serviços médicos no geral. Apesar dos preços elevados desses planos para os mais velhos, o mercado se organizou para oferecer esses serviços de forma que consigam ser comprados. Assim, ao se utilizarem mais de planos de saúde, proporcionalmente, os idosos não tiveram tanta porcentagem de utilização.

Elaboração de políticas públicas

Apesar das dificuldades na elaboração do inquérito, considerando o contexto pandêmico e pós-pandêmico, esse trabalho é essencial na coleta de dados para a criação de políticas públicas que auxiliem a população de São Paulo, que requer diversos tipos de cuidados devido a seu tamanho. E não só no diagnóstico e tratamento de doenças, mas na elaboração de ações preventivas, campanhas de vacinação, na qual o SUS possui extrema importância e outras medidas, sempre se adequando às diferentes necessidades.

“Uma pesquisa dessa magnitude, que envolve parcerias entre o governo, universidades, é essencial para mostrar o que precisa ser feito do ponto de vista das políticas públicas. Diferentes resultados aparecem no inquérito e, a curto prazo, vamos disponibilizando mais informações detalhadas, que ajudam a compreender o que será preciso avançar”, finaliza a professora.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 



Fonte