As origens dessas novas teorias remontam à Segunda Guerra Mundial, a partir de críticas da teoria econômica liberal ortodoxa ou neoclássica.
Na década de 1970, os EUA e o Reino Unido enfrentaram crises econômicas que abriram espaços para que a teoria econômica ortodoxa voltasse a ser dominante nas universidades e na formulação de políticas. Nos países centrais, a industrialização tinha êxito por usar a estratégia desenvolvimentista de industrialização proposta pelo desenvolvimentismo estruturalista.
As três visões originais que deram origem à Teoria do Novo Desenvolvimentismo eram, em primeiro lugar, uma visão do desempenho geral da economia desenvolvimentista voltada para os países de renda média; em segundo lugar, a taxa de câmbio; e, em terceiro lugar, a visão de que os governos deveriam se recuperar do baixo nível de investimento público, que havia caído na crise da dívida externa, nos anos de 1980, e havia uma relação positiva entre uma taxa de câmbio competitiva e o crescimento econômico.
O método e as escolas de pensamento
A escola de economia política clássica representou o progresso, na medida em que definia as riquezas das nações como produção: o que hoje chamamos de Produto Interno Bruto (PIB).
A escola marxista de economia política, que se refere ao marxismo moderno, deu uma contribuição decisiva para a compreensão do capitalismo hoje. É a única escola que permanece viva, combinando economia política, sociologia e história, oferecendo visão ampla e crítica do capitalismo.
A teoria econômica neoclássica nasceu por volta de 1870, quando um grupo de economistas propôs uma nova teoria do valor para definir os preços. Em meados de 1940 até 1960, a teoria econômica neoclássica perdeu sua posição dominante para a teoria econômica pós-keynesiana, que é uma teoria crítica ortodoxa liberal, e fundou a macroeconomia defendendo a intervenção moderada do Estado na economia, relacionada à teoria monetária moderna, que tem como visão que a quantidade de dinheiro em circulação são fatores internos e determinados pelos preços, em vez de os preços serem determinados pela quantidade de dinheiro em circulação.
As escolas desenvolvimentistas e o anti-imperialismo
O desenvolvimentismo estruturalista clássico se baseia em uma economia política que discute a revolução capitalista, e foi a afirmação de que o desenvolvimento é industrialização ou mudança estrutural.
Em 1980, a América Latina entrou em uma grande crise econômica, que os economistas liberais atribuíram à estagnação econômica, e definia o modelo de substituição de importações, que foi a grande crise da dívida externa. Na década de 1980, os governos da América Latina não conseguiram superar a crise da dívida externa e seu desenvolvimentismo enfraqueceu.
Em microeconomia, a teoria do novo desenvolvimentismo sustenta os fatores de oferta, embora só haja crescimento se forem combinados com políticas macroeconômicas que garantam que o nível da taxa de câmbio seja competitivo. Em macroeconomia, assume os mercados que são incapazes de assegurar os preços macroeconômicos corretos (taxa de juros, taxa de câmbio, taxa de salário, taxa de inflação e taxa de lucro).
Formas e fases do desenvolvimento capitalista
A economia é a ciência dos mercados, que só se tornam importantes quando coordenam as economias nacionais e depois a economia internacional. Isso só acontece quando o Estado regula e intervém na economia, ou seja, quando o mercado é sustentado pelo Estado.
O Estado coordena toda a sociedade e o mercado coordena apenas o sistema econômico, formando duas coordenações econômicas: a forma desenvolvimentista e a forma liberal. Após a pandemia de covid 19, o liberalismo entrou em colapso e entraram em transição para uma nova fase: fase gerencial e fase desenvolvimentista. O mercantilismo foi a primeira forma histórica de desenvolvimentismo – um sistema econômico no qual o Estado agia sob critério para intervir quando os mercados não conseguissem fazer o seu trabalho.
O papel crescente do mercado
O papel do Estado é manter os cinco preços macroeconômicos corretos; planejar e investir em infraestrutura, indústria de insumos básicos, área social e mudanças climáticas; e promover a política industrial estratégica e o desenvolvimento científico tecnológico, intervindo fortemente nos serviços do Estado, de bem-estar social, combatendo suas mudanças.
A microeconomia reúne os agentes (produtores e consumidores) que competem no mercado, coordenando as ações e alcançando certo equilíbrio, tratando-se do comportamento dos agentes, de alocações de fatores de produção e da coordenação eficiente dos sistemas econômicos.
A macroeconomia são as unidades de análise da renda nacional, produção e consumo. É uma macroeconomia desenvolvimentista, quando o médio e o longo prazo são relevantes.
Definimos o crescimento econômico ou desenvolvimento como processo de acumulação de capital que provoca aumento sustentado de produtividade de trabalho, da renda per capita e do padrão de vida da população.
A taxa de investimento é o principal determinante do crescimento econômico. Não podemos afirmar que quanto maior a taxa esperada de lucro das empresas, maior a taxa de investimento que as empresas investem quando a taxa de lucro esperada para o negócio é satisfatória. No início dos anos 2000, essa política também reduzia a competitividade internacional dos países em desenvolvimento.
A economia brasileira está estagnada há 44 anos, e estagnou devido à grande crise da dívida externa, à alta inflação e à queda do investimento público. Os fatos que levaram a América Latina à quase estagnação originaram-se da queda da poupança pública, política de crescimento com endividamento externo ou “poupança externa”.
A Teoria ND (Novo Desenvolvimentismo) critica o crescimento com uma política de endividamento externo, mas, em certos períodos, os países de renda média se desenvolveram com a poupança externa. Foi o caso dos EUA, da Coreia do Sul e do Brasil, no decorrer do tempo.
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