Com duração de outubro até dezembro, programação relembra presença negra para além do dia 20 de novembro

Como parte das atividades que marcam o Dia da Consciência Negra, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP realizará nos dias 30 e 31 de outubro, às 15 horas, a Semana Cultural dos Funcionários. Entre as ações realizadas, ocorrerão apresentações musicais, exposições de itens colecionáveis e de artesanato, aula sensorial de café, entre outros.
O evento faz parte de uma ampla programação, que teve abertura no dia 3 de outubro com a palestra da professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Emérita da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A pesquisadora é referência nacional na luta pela educação antirracista e pelas relações étnico-raciais no Brasil. No dia 29, foi promovida uma exposição do acervo do Núcleo de Artes Afro-Brasileiras USP (NECAAB) sobre o Grupo de Capoeira Angola Guerreiros de Senzala na USP, que celebra quase três décadas de ações artístico-culturais.
A programação vai se estender até dezembro e contempla uma série de atividades culturais, artísticas e acadêmicas, reunindo nomes importantes da pesquisa e da produção cultural negra. A proposta de “ir além de novembro” simboliza o esforço da faculdade em manter a presença e a memória negra vivas durante todo o ano, nas salas de aula, nas pesquisas, nas artes e na convivência cotidiana.
Preservação e memória
No dia 3 de novembro, às 17h30, o calendário traz a abertura da exposição Ecos do Silêncio – Preservação e Memória, da artista Mabel de Souza. Figura proeminente na preservação da memória da escravidão no Brasil, Mabel é advogada, escritora, roteirista, cineasta e pesquisadora. A mostra é uma das iniciativas da artista para promover a reflexão sobre o impacto histórico da escravidão no País.

Ainda em novembro, dia 5, às 14 horas, o evento Círculo de Memória e Pesquisas: Saberes Negros em Primeira Pessoa propõe um diálogo direto com as narrativas negras. Por meio do encontro, pesquisadores negros da FFLCH compartilharão trajetórias, experiências, objetos de memória e projetos de pesquisa, criando conexões vivas entre ancestralidade, ciência e presença negra na Universidade.
Avançando, no dia 7 de novembro, haverá uma conversa com o escritor Jeferson Tenório, autor do premiado livro O Avesso da Pele. O encontro acontece às 17h30, no auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), com mediação de Fernanda Sousa, pesquisadora do programa de Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH. A conversa abordará a trajetória de Tenório como escritor negro e sua contribuição para a literatura contemporânea.
No dia 17 de novembro, às 13 horas, será inaugurada a exposição fotográfica Consciência Negra em Foco, no Vão da Geografia e História. A mostra, produzida por Walquir da Silva e Kelwin Marques, retrata funcionárias, funcionários e terceirizados autodeclarados negros da FFLCH, evidenciando a presença negra dentro do espaço universitário. A abertura contará com a apresentação do Coralusp Azul, uma das equipes mais tradicionais do Coral da USP.
Em 18 de novembro, às 14 horas, será exibido o filme São Palco – Cidade Afropolitana, dirigido por Jasper Chalcraft e Rose Satiko Gitirana Hikiji, professora do Departamento de Antropologia da FFLCH. Exibido na Mostra Ecofalante de Cinema 2025, o documentário apresenta São Paulo como um metapalco ocupado por artistas do Togo, Moçambique, República Democrática do Congo e Angola, em diálogo com as aberturas e contradições da metrópole brasileira.
O Programa de Acolhimento aos Estudantes Cotistas (Paeco) promove, no dia 24 de novembro, às 18 horas, o encontro Caminhos de Permanência e Acolhimento: trocas sobre o cotidiano cotista, que propõe um espaço de escuta e fortalecimento coletivo entre estudantes cotistas, discutindo temas como pertencimento, permanência e adaptação ao ambiente universitário.
Ainda no dia 18, às 17 horas, acontece o evento Poesia e Resistência: Sarau e outras formas poéticas, um espaço dedicado à celebração das expressões artísticas e da poesia negra de resistência. No dia 27 de novembro, às 16h30, será realizada a roda de conversa Muvuca – Vozes Africanas na Universidade: experiências estudantis, produção intelectual e resistência, reunindo estudantes e pesquisadores para refletir sobre as experiências negras na academia e a produção de conhecimento a partir de perspectivas afrodiaspóricas.
Encerrando as atividades, no dia 5 de dezembro, às 19 horas, ocorre o Mini Ball do Fim do Mundo: o Legado de Elza, celebração da cultura ballroom — criada por mulheres trans negras e latinas nos anos 1970 em Nova York. No Brasil, essa forma de expressão tem se consolidado como um espaço de arte, resistência e afirmação da comunidade preta LGBTQIA+.
Com informações de Gabriela César e Juliana Morais, do Serviço de Comunicação Social da FFLCH




