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Entre o tempo previsto e o tempo possível da graduação – Jornal da USP


Conversa entre a psicóloga Beatriz Moreno e a acadêmica Letícia Domingos reflete sobre a expectativa de se formar no tempo certo e o impacto dessa pressa na vida universitária

Prolongar o tempo da formação não deve ser visto como fracasso, mas como parte do processo – Foto upklyak – Freepik
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Letícia Domingos – Foto: Arquivo pessoal

A cobrança para concluir o curso dentro do chamado período ideal é um dos temas que mais aparecem nas conversas com universitários. No segundo episódio da série Mentes em Pauta, da Rádio USP Ribeirão Preto, a acadêmica Letícia Domingos e a psicóloga Beatriz Moreno refletem sobre esse período ideal, o que elas chamam de mito, que atravessa a vida estudantil e sobre como ele pode pesar na saúde mental.

Letícia comenta que, no campus de Ribeirão Preto, é comum encontrar colegas que mudaram de curso durante a graduação. “Eu conheço várias trajetórias assim. Gente que começou na FEA, foi pra Biologia, ou que saiu da Psicologia e foi pra Física. É mais comum do que parece, e acho muito bonito ver as pessoas se reencontrando”, diz.

Beatriz Moreno – Foto: Arquivo pessoal

Beatriz concorda e reforça a importância de buscar um caminho que faça sentido. “Em qualquer curso, as dificuldades vão existir. Mas faz diferença quando a gente está lutando por algo que realmente nos representa”, afirma. A estudante lembra que, na própria USP, há recursos para explorar novos interesses, como a possibilidade de cursar disciplinas em outras unidades. “É uma oportunidade incrível pra quem quer testar outras áreas. Dá pra se inscrever como aluno especial e vivenciar outro curso. Eu sempre quis fazer isso, mas a grade é esmagadora. E acho que muitos colegas também sentem isso: a sensação de que não dá pra sair do roteiro”, comenta Letícia.

Kaio Alves – Foto: Arquivo pessoal

Nesse ponto, surge o tema central do episódio: o medo de “atrasar” o curso. “A gente não pode atrasar o nosso período ideal. É crime!”, brinca Letícia. “Mas eu tô justamente nesse lugar, tô fazendo um ano a mais de graduação, e pra mim foi espetacular. Fez toda diferença. Eu precisei, não foi por enrolar. Se eu não tivesse feito, não teria tido experiência de estágio suficiente.”

Beatriz destaca que prolongar o tempo da formação não deve ser visto como fracasso, mas como parte do processo. “Quando a gente fala de estender o curso, também estamos falando de aproveitar melhor os recursos da universidade, de amadurecer o aprendizado e o próprio olhar sobre a profissão”, explica. A estudante relembra o período em que tentou cumprir todas as disciplinas no prazo original. “Teve um ano que eu fiz 17 disciplinas. Nosso curso é integral! Eu não sei como sobrevivi. Queria formar em cinco anos, mas percebi que isso não era viável pra minha saúde mental.”

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Posted: 15/10/2025

Entre risadas e confissões, a conversa se encerra com uma reflexão sobre o valor real da formação universitária. “Mesmo quem termina no período ideal sente as lacunas”, observa Letícia. “Sempre vai haver algo a mais pra aprender. E, se é ideal, é porque não existe.”

O Mentes em Pauta é uma série quinzenal da Rádio USP Ribeirão Preto sobre saúde mental na Universidade. A apresentação é de Letícia Domingos, com produção do Centro de Orientação Psicológica (Copi) da USP Ribeirão Preto e trilha de Kaio Alves.



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