O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, participou das discussões; a USP é sede de um dos seis centros de pesquisa do CNRS existentes no mundo, que é o único da América Latina
Por Adriana Cruz

O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, participou, no dia 29 de outubro, da conferência Conectando talentos: moldando o futuro da ciência global, promovida pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS, na sigla em francês), na sede da instituição, em Paris.
As palestras e mesas-redondas reuniram representantes das seis universidades que contam com Centros Internacionais de Pesquisa (International Research Center, IRC) do CNRS – USP, Universidade do Arizona, Imperial College, Universidade de Tóquio, Universidade de Chicago e Universidade de Sherbrooke, no Canadá – com o objetivo de estimular colaborações entre os pesquisadores dos centros. Temas globais, como a abordagem Uma Só Saúde — que estuda as conexões entre saúde humana, animal e ambiental — e as pesquisas em física quântica e sua relação com ecossistemas de inovação foram debatidos durante a conferência.
“Os IRCs permitem abordar desafios científicos de dimensão global, como a crise climática ou a transição energética, que exigem cooperações internacionais de longo prazo”, explicou o diretor de Europa e Relações Internacionais do CNRS, Alain Mermet.
Para o presidente do CNRS, Antoine Petit, “os IRCs fazem parte dessas soluções como instrumentos de diálogo entre o CNRS e universidades internacionais de excelência que compartilham os mesmos valores. Eles podem desempenhar um papel essencial na preservação dos espaços de intercâmbio e na promoção de uma responsabilidade compartilhada diante dos desafios comuns”.
Carlotti falou sobre como tem sido a experiência do IRC na USP. “Há pouco mais de um ano, a USP e o CNRS lançaram uma parceria significativa com o objetivo de fomentar a cooperação interdisciplinar entre as comunidades científicas de ambas as instituições. Essa colaboração levou à criação do Centro Internacional de Pesquisa Worlds in Transitions, criado para promover iniciativas de pesquisa conjuntas e formação acadêmica de alta qualidade, envolvendo tanto a governança institucional quanto a comunidade científica mais ampla”, explicou.
Segundo ele, o IRC foca sua pesquisa em questões críticas para o futuro da humanidade, em um momento em que transições de impacto global estão ocorrendo em múltiplos domínios, estimulando a produção de conhecimento e a inovação.
O centro se dedica ao estudo e monitoramento das principais transições científicas, tecnológicas e sociais que moldam o mundo contemporâneo, em áreas como mudanças climáticas, transições energéticas, evolução de ecossistemas, inovação tecnológica e dinâmicas sociais, promovendo abordagens interdisciplinares para enfrentar esses desafios. Inicialmente, foram definidas sete áreas de pesquisa principais: oceanos, tecnologia quântica, computação e dados, meio ambiente, ciências humanas, imunologia e descarbonização. Cada área é coordenada conjuntamente por um pesquisador da USP e um pesquisador afiliado ao CNRS. “No Brasil, enfrentamos problemas globais, como a questão da Amazônia, e problemas locais, como a violência e, para resolvê-los, precisamos de cooperações científicas internacionais”, destacou o reitor.
“Diante dos novos desafios globais, devemos continuar trabalhando lado a lado para construir uma ciência aberta, ética e verdadeiramente global”, afirmou o diretor-geral adjunto para a globalização do Ministério da Europa e das Relações Exteriores da França, Jean-Paul Seytre.
Assista, a seguir, ao vídeo produzido pelo CNRS sobre os centros de pesquisa internacionais.
(Com informações do Escritório de Comunicação do CNRS)



