sexta-feira, maio 15, 2026
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Influenciadores substituem jornalistas e aumentam risco de desinformação – Jornal da USP


Sinal dos tempos: está cada vez mais comum nos dias de hoje encontrarmos criadores de conteúdo de redes sociais voltados para a produção de notícias, sobretudo as relacionadas à política. O problema  é  que esses influenciadores não seguem os mesmos parâmetros dos jornalistas profissionais, e é sobre isso que o professor Carlos Eduardo Lins da Silva fala em sua coluna quinzenal para a Rádio USP/Jornal da USP. “Nós temos visto em todos os lugares, e principalmente agora nos Estados Unidos, que pessoas que chegam ao poder em alguma posição acabam tentando deixar o espaço, que era do jornalismo profissional, nas mãos desses influenciadores, indivíduos que têm um blog ou têm um canal de YouTube, ou que têm apenas uma participação no TikTok com o seu perfil, essas pessoas acabam tendo o relevo que antigamente, até agora, até poucos meses atrás, tinham os jornais e os veículos de comunicação, que dispunham de toda uma estrutura e todo um investimento e todo um paradigma de séculos de comportamento”.

O colunista cita um professor da Universidade da Califórnia, que, em seu comentário sobre esse fenômenos, diz que isso não leva a uma sociedade mais bem informada, mas a uma sociedade cada vez mais dividida e cada vez mais dependente de pessoas que são dadas a divulgar notícias falsas e a divulgar informação que não é confirmada. E claro está que essas pessoas ganham dinheiro com isso, “mas muitas ganham também de fontes que não nomeiam e muitas vezes quem financia essas publicações são pessoas ou entidades ou organizações ou empresas que têm interesses que acabam sendo defendidos por esses influenciadores”. Um recente estudo do Instituto Reuters mostra que, em muitos países e em determinadas faixas etárias, o acesso a essas notícias se dá mais por esses influenciadores do que pela mídia. O estudo tenta encontrar razões para isso.

“Uma das razões que eles apontam como provável é que os países em que isso acontece são países em que a mídia está tendo cada vez mais dificuldades econômicas e políticas para poder desempenhar o seu papel condizente com a sua história. Entre os países em que isso acontece estão os Estados Unidos, o Brasil, o México, a Tailândia, as Filipinas, a Nigéria, o Quênia e, do lado contrário, entre os países em que as pessoas ainda se informam mais, dizem se informar mais por meio dos veículos tradicionais, estão países em que a mídia, de uma forma ou de outra, embora enfrentando problemas, consegue se sair melhor do ponto de vista de capacidade de sobrevivência e de relevância, entre elas, a Alemanha, o Reino Unido, a Noruega, a Austrália e o Japão.”



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