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Camilo Zufelato e Fabiana Severi assumem a direção da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto – Jornal da USP


Cerimônia de posse oficial dos novos dirigentes será dia 14 de novembro, às 11h, na Auditório da FDRP

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Camilo Zufelato e Fabiana Severi – Fotos: Facebook e Eduardo Alexandre Gula (FDRP) – Montagem: Vladimir Tasca

A Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP tem nova direção desde 16 de setembro de 2025. O professor Camilo Zufelato assumiu o cargo de diretor e a professora Fabiana Severi, de vice-diretora, em substituição aos professores Nuno Coelho e Márcio Henrique Pereira Ponzilacqua. A nova gestão tem como foco consolidar o crescimento institucional da FDRP, reforçando seu papel de referência nacional em formação jurídica inovadora, interdisciplinar e socialmente comprometida

Os novos dirigentes têm longa atuação administrativa e acadêmica na FDRP. Zufelato lembrou que os dois são os mais recentes professores titulares da Unidade e já participaram de diversas comissões e colegiados, de graduação, inclusão e pertencimento, pós-graduação, cultura e extensão. “A gente entende que essa é uma atribuição administrativa da responsabilidade de um professor titular. Mas, mais do que isso, temos uma trajetória institucional sólida, e queremos trazer essa experiência para a diretoria”, afirma.

A proposta dos novos gestores é de uma gestão compartilhada, com divisão efetiva de funções e protagonismo equilibrado. “Não queremos uma vice-diretora que substitua o diretor, mas uma parceira que compartilhe projetos, ações e responsabilidades”, diz Zufelato.  

Fortalecimento da pós-graduação e da pesquisa

Entre as prioridades está o fortalecimento da pós-graduação, que recentemente passou a oferecer curso de doutorado. “Nossa meta é alcançar os níveis de excelência definidos pela CAPES, chegando à nota 6. Isso envolve internacionalização, impacto social e ampliação das redes de pesquisa”, afirma Fabiana.

A professora ressaltou que a FDRP já é reconhecida nacionalmente como um centro de pesquisa empírica e interdisciplinar no Direito. “Inovamos na forma de produzir conhecimento, e queremos avançar ainda mais nesse modelo”, observa. 

Segundo Zufelato, a criação de um laboratório de pesquisa em jurimetria e inteligência artificial será uma das ações estruturantes da nova gestão. O espaço deve reunir ensino, pesquisa e extensão, integrando tecnologias emergentes às metodologias jurídicas. “Esse laboratório vai consolidar nosso protagonismo nacional e fortalecer redes de pesquisa em temas como acesso à justiça, gênero e desigualdades”, explica.

A ampliação da internacionalização docente e discente é outra meta central. A gestão planeja aumentar o número de docentes vinculados ao programa de pós-graduação, o que permitirá oferecer mais vagas de mestrado e doutorado e fortalecer a inserção internacional da FDRP.

Curricularização da extensão e impacto social

A ampliação da curricularização da extensão também ganha espaço na agenda da nova gestão. “Estamos no momento de consolidar essa etapa, com cursos voltados à rede pública, conselhos municipais e jovens do ensino médio, em temas de direitos humanos e cidadania”, explica Fabiana.

Um exemplo é o projeto de regularização fundiária realizado por estudantes e professores, em parceria com o Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) e a Defensoria Pública. “Essas experiências mostram como o estágio obrigatório e a extensão se unem à pesquisa e ao compromisso social da universidade”, afirma Zufelato.

Os novos gestores lembram que a FDRP também está entre as poucas faculdades do País em que os alunos de doutorado cumprem créditos obrigatórios de extensão, uma inovação que amplia o alcance social da pós-graduação.

Ensino, saúde mental e pertencimento

Na graduação, a FDRP concluiu a terceira atualização do projeto político-pedagógico, que reformulou a organização curricular. “Graças aos esforços da gestão dos professores Nuno e Márcio, a qual instituiu o Núcleo de Prática Jurídica como espaço de formação e atendimento real à população, nosso curso mantém um projeto pedagógico integral, inovador e com resultados expressivos, como o alto índice de aprovação na OAB e a presença de egressos em todas as carreiras jurídicas”, ressalta Severi

Outro eixo fundamental é o pertencimento estudantil e a saúde mental. “Temos uma psicóloga e uma pedagoga na unidade e uma parceria com o Programa de Saúde da Família da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), que nos permite oferecer acompanhamento psiquiátrico aos alunos. Queremos ampliar essa cobertura para todos os estudantes”, disse Zufelato, que completa: “As informações geradas por esses atendimentos também servem de base para aprimorar as práticas pedagógicas e fortalecer a integração entre professores e alunos”.

Integração entre graduação e pós-graduação

A direção também quer estreitar a relação entre os dois níveis de ensino. “A tradicional interação entre graduação e pós, como monitorias e disciplinas compartilhadas, pode ser ampliada. Queremos um ensino do Direito mais interdisciplinar, ancorado em bases científicas e metodologias ativas”, afirma Severi.

Ela destaca que o perfil dos estudantes mudou. “O aluno de hoje tem mais acesso a recursos tecnológicos e menos tolerância a aulas expositivas longas. Precisamos adaptar o ensino, tornar o aprendizado mais participativo e atento ao bem-estar dos alunos”, completa. 

Expansão física e novos rumos

Com a aprovação da construção do novo bloco da FDRP e as reformas já em andamento, a nova direção deve conduzir uma das maiores expansões estruturais da unidade. “As reformas buscam aliar a beleza arquitetônica do prédio às suas múltiplas funcionalidades e ao bem-estar da comunidade”, registram os dirigentes. 

Zufelato e Severi também planejam realizar um estudo diagnóstico sobre a expansão da faculdade, que incluirá a possibilidade de criação, por exemplo, de um curso noturno de Direito ou da expansão no número de vagas na pós-graduação, e, consequentemente, aumento de docentes e funcionários. “O crescimento quantitativo e qualitativo é fundamental para fortalecer nossa projeção nacional. À medida que a gente cresce com o curso e a pós-graduação, temos dados concretos para justificar novos quadros docentes e técnicos”, acrescenta Zufelato.

Para finalizar, a nova direção pretende ainda fortalecer a assessoria de comunicação científica, para ampliar a divulgação de estudos e resultados da FDRP. “Queremos que nossas pesquisas cheguem tanto a juízes e ministros quanto à população, traduzindo o conhecimento jurídico em linguagem acessível. No Direito, ainda é raro que se entenda que também fazemos ciência”, conclui Fabiana.



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