sexta-feira, maio 15, 2026
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Correspondências entre a vida e a arte – Jornal da USP


Martin Grossman comenta da chacina ocorrida dias atrás no Rio de Janeiro ao mesmo tempo que reflete sobre sua relação com a peça Borda, em cartaz na Capital

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O professor Martin Grossmann dá início à sua coluna comentando a chacina ocorrida no Rio de Janeiro há uma semana, a qual resultou em pelo menos 121 mortes, sendo 117 suspeitos de terem ligação com o crime e 4 policiais, a operação policial mais letal da história do Estado e do século 21 no Brasil. “Dentre centenas de reações, além da declaração feita pelo governador no dia seguinte à operação, ‘de que vítima ontem lá só tivemos esses policiais’, chamou-me a atenção aquela reportada pelo site do UOL, no mesmo dia, ocorrida no plenário da Câmara Municipal de São Paulo, quando um minuto de silêncio foi proposto para homenagear as vítimas da operação policial no Rio de Janeiro. A tentativa virou um bate-boca entre vereadores e a homenagem não foi aprovada.  Não houve consenso, tampouco solidariedade entre propostas que visavam a homenagear todos os mortos com aquelas que defendiam que a manifestação só deveria reverenciar os policiais. Isso representa muito o estado das coisas na atualidade, não só aqui no Brasil como no mundo”.

Na segunda parte de seu comentário, ele descreve sua experiência diante de uma obra de arte: “Fui assistir à nova coreografia de Lia Rodrigues, batizada de Borda, em sua estreia aqui em São Paulo, no Sesc Pinheiros, na última quinta-feira, dia 30 de novembro. Borda se inicia com um longo silêncio, muito além dos 60 segundos. Um jogo de cena inicial de certa forma angustiante que se passa no interior da caixa preta do teatro, diante de uma ambiência minimalista, sem cenários e com uma iluminação que concentra seu foco no centro do palco onde, a princípio, não sabemos exatamente o que se passa, uma vez que existe um volume, de natureza plástica e de tonalidade branca com diferentes matizes que, aos poucos, vai se revelando uma espécie de anamorfose dinâmica, pois remodelada constantemente.  Ali, diante de uma situação inusitada, impactante pela sua proposta em amalgamar bailarinos, figurino e cenário em uma só volumetria, enfrentamos os fantasmas de nossa existência, as contradições e paradoxos da humanidade. Nessa fruição inquietante, em câmera lenta, se sobressaiu uma referência da história da pintura ocidental, o quadro Balsa da Medusa executada entre 1818 e 1819 pelo pintor francês Théodore Géricault (1791–1824), exposta no Louvre em Paris. Para explorar melhor essas correspondências, recomendo aos ouvintes verem Borda no Sesc e a explorar essa obra de Géricault e a tragédia que a inspirou”.


Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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