Em outra ação de extensão, a nutróloga Suzane Torquato, da etnia Sateré Mawé, foi convidada para falar sobre o uso de formigas na gastronomia, em um ciclo de palestras que envolve diferentes cosmovisões sobre a biodiversidade. Suzane deu ainda uma oficina gastronômica para jovens no Sesc em Ribeirão Preto. “A gente tem feito essas trocas e diálogos, nas confluências entre outras epistemologias e a ciência biológica”, diz o professor da USP.
O tema insetos é também alvo de pesquisas com foco na educação, orientadas por Motokane. “Tenho alunos que relacionam a literatura, os insetos e a educação para a biodiversidade, em busca de metodologias de ensino mais adequadas para essa questão da conservação”. Uma pesquisa de mestrado, por exemplo, trabalha com A Metamorfose, de Franz Kafka, fazendo relações com o medo de inseto. Um outro projeto trabalha com narrativas de povos originários sobre formigas.
Até mesmo os produtos de extensão do Bioinsecta viram temas de pesquisa em educação. “Em uma das pesquisas, a gente usa os podcasts em sala de aula para entender como podem ajudar o professor a aproximar os alunos da ciência e da conservação da biodiversidade.”
O jornalismo científico completa o rol de ferramentas utilizadas pelo Bioinsecta para chegar além dos muros da academia. O doutor em Biologia Leandro Magrini, que também se especializou em divulgação científica, toca esta parte, produzindo uma série de matérias publicadas em diferentes veículos, atendendo pedidos de outros jornalistas que desejam noticiar os trabalhos, e cuidando da página do projeto no Instagram, @bioinsecta. O apoio é da Fapesp, pelo programa Mídia Ciência.
Mais ao norte do País, o Biodossel, do Inpa, também investe nas ações de extensão. “A gente vai às escolas de Manaus mostrar o que fazemos dentro da floresta aos estudantes, com idade de 8 a 17 anos”, conta o técnico do Inpa Francisco Xavier Filho.
“Eles ficam apaixonados ao saber que existe esse tipo de trabalho científico dentro da floresta, do lado da cidade em que moram. Perguntam, ficam curiosos e vibram quando a gente mostra os frascos com os insetos: ‘Nossa, existe tudo isso?’ Alguns até perguntam: ‘Mas vocês matam esses insetos?’. Aí a gente explica que eles foram sacrificados, que alguns exemplares deram a vida para que outros bilhões de insetos e outros animais e plantas da floresta sejam mais bem conhecidos e, assim, preservados”, relata.
“Os estudantes ficam empolgadíssimos, querem conhecer os lugares onde a gente trabalha, e até se vestir como a gente, falar como os cientistas e técnicos. A maioria deles nunca caminhou nessa floresta que está do lado de casa, então começam a pensar diferente quando recebem estas informações de alguém que por esses anos todos caminhou, como eu e outros colegas. A mentalidade muda sobre termos que cuidar dessa floresta, usando seus recursos de uma forma correta e sustentável”.


