Alberto do Amaral comenta as recentes incursões dos EUA contra a Venezuela, repetindo o que já fez no passado em ações que visaram a outros países latinos, incluindo o Brasil
A tensão entre Estados Unidos e Venezuela vem crescendo, com movimentos militares americanos na região, acusações de terrorismo e novas sanções. Essa pressão dos EUA sobre a América Latina não constitui, porém, uma novidade, como admite o professor Alberto do Amaral em sua coluna para a Rádio USP/Jornal da USP. “Eu começaria por citar os casos do Brasil, do Chile e o caso paradigmático que envolveu a situação de Cuba. No caso do Brasil, há um livro importante publicado no ano passado pela historiadora Heloisa Starling, da Universidade Federal de Minas Gerais, que comenta este fato. O livro se chama A Máquina do Golpe. E nesse livro, há especificação do fato de que os Estados Unidos, pela Operação Brother Sam, tentaram consolidar o golpe militar de 1964 pelo envio de um porta-aviões. Essa operação não chegou a se concretizar, mas se constitui num importante precedente”. Na mesma toada, o colunista menciona a Operação Condor, em 1975, que envolveu o Brasil e outros países sul-americanos e cujo objetivo foi o de combater supostos movimentos de esquerda. Houve também outras importantes tentativas de desestabilização, por intermédio da CIA, de governos latino-americanos. Como outro exemplo, há o caso de Cuba e a tentativa de invasão norte-americana na Baía dos Porcos, em 1961, ” quando a CIA treinou guerrilheiros exilados cubanos para invadir o território de Cuba. E, em 1973, a CIA teve uma participação direta no golpe militar chileno que destituiu e matou Salvador Allende e levou os militares ao poder”.
No momento, a pressão dos EUA se volta para a Venezuela. “Os Estados Unidos tentam exercer pressão sobre o governo da Venezuela. Já decretaram a possibilidade da realização de operações secretas por intermédio da CIA em território venezuelano. Os Estados Unidos têm atacado sistematicamente embarcações ao longo da costa venezuelana […] há outras formas de combater o tráfico de drogas, os Estados Unidos poderiam acionar a guarda costeira, poderiam deter as embarcações, eventualmente apreender a carga, levar a julgamento perante a justiça americana todos aqueles que se encontram nessas embarcações, mas não adotar um assassinato indiscriminado e todos aqueles que nelas se encontram pelo afundamento dessas mesmas embarcações. É preciso salientar ainda que esses fatos configuram uma intervenção ilícita no governo da Venezuela. Todos aqueles que combatem a invasão russa à Ucrânia devem necessariamente combater a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. Isso não significa defender o tráfico de drogas, isso não significa defender o governo Maduro, que tem uma série de problemas, uma série de críticas, mas isso significa defender a primazia e a predominância do direito internacional”.
Um Olhar sobre o Mundo
A coluna Um Olhar sobre o Mundo, com o professor Alberto Amaral, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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