sexta-feira, maio 15, 2026
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Pétalas e estrelas, a redescoberta de um legado arquitetônico – Jornal da USP


A exposição no Centro de Convivência Cultural de Campinas celebra a obra e o pensamento visionário de um dos grandes nomes da arquitetura brasileira

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Na coluna desta semana, Guilherme Wisnik comenta a exposição Fábio Penteado: Pétalas e Estrelas, em cartaz no Centro de Convivência Cultural de Campinas, que, segundo o colunista, marca não apenas o retorno de um importante espaço público da cidade, mas também a valorização da memória de um dos arquitetos mais originais da chamada Escola Paulista. O Centro, projetado por Penteado em 1967 e construído nos anos 1970, foi durante décadas um ponto de encontro da vida cultural campineira, abrigando anfiteatro, galerias e teatro. Após vinte anos de fechamento e abandono, o espaço reabre revitalizado, tendo como destaque justamente uma mostra dedicada ao seu criador — uma homenagem que simboliza a retomada de sua importância na cena urbana e arquitetônica.

A curadoria, assinada por Wisnik, foi um convite de Adriana Moura Penteado, filha do arquiteto e guardiã de seu arquivo, já que o professor viveu de perto o processo de resgate do legado de Penteado. A mostra revela a amplitude de sua produção e a singularidade de seu pensamento, situando-o ao lado de nomes como Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. Penteado, porém, se destacava por uma poética própria: suas obras exploravam o concreto aparente e volumes estruturais marcantes, como se vê no Hospital Escola Júlio de Mesquita. No Centro de Convivência, sua concepção espacial remete a uma expansão orgânica — um “Big Bang arquitetônico” — em que formas se abrem como pétalas e estrelas, unindo técnica e sensibilidade, como avalia Wisnik.

Mais do que uma retrospectiva, Pétalas e Estrelas propõe uma leitura contemporânea da arquitetura de Penteado. Sua visão antecipava discussões atuais sobre o “campo ampliado da cultura”, em que as fronteiras entre arquitetura, urbanismo e paisagismo se diluem. O arquiteto já tratava a arquitetura como paisagem e espaço de convivência pública, antecipando debates sobre sustentabilidade e integração ambiental. Assim, a exposição reafirma a atualidade de seu pensamento — um gesto de memória que também projeta o futuro da arquitetura brasileira.


Espaço em Obra
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar  quinzenalmente quinta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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