sexta-feira, maio 15, 2026
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Estudantes da USP vencem competição internacional de biologia sintética – Jornal da USP


Equipe da USP conquista medalha de ouro e prêmio de inclusão na maior competição mundial de biologia sintética, com projeto que pode baratear tratamentos da Doença de Gaucher

Vários estudantes, alguns em pé e outros sentados posando para a foto num local ao ar livre
Foto: Divulgação/Cepid B3 ICB

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Texto: Bianca Bosso*

A equipe iGEM USP conquistou reconhecimento internacional ao se destacar na Competição Internacional de Engenharia de Sistemas Biológicos (iGEM), o maior evento de biologia sintética do mundo. Coordenado por Cristiane Guzzo, do Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (CEPID B3) e do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, o grupo se apresentou em Paris, França, na última semana, e voltou com três conquistas: medalha de ouro, nomeação entre os melhores projetos da categoria e prêmio especial de inclusão. O resultado reforça a excelência da pesquisa feita no Brasil e consolida o time como referência global em biologia sintética. 

Os prêmios reconhecem o projeto Glycosy-N-ation, desenvolvido pela equipe desde o início de 2024. A proposta envolve manipular duas espécies de microrganismos – a bactéria Escherichia coli e a levedura Saccharomyces cerevisiae – para que possam produzir glicoproteínas humanas. Um exemplo é a GCase, enzima naturalmente sintetizada pelo corpo e cuja deficiência está associada à Doença de Gaucher. “Hoje, essa enzima já pode ser produzida artificialmente para tratamentos a partir de células de cenouras, hamsters ou humanos, mas usar bactérias e leveduras pode reduzir significativamente os custos”, explica Davi Merighi, integrante do grupo. Segundo ele, o foco da equipe é desenvolver soluções inovadoras, acessíveis e com potencial de aplicação real, inclusive para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O desempenho na pesquisa e no laboratório garantiu à equipe uma medalha de ouro pelo resultado geral do projeto e uma nomeação entre os quatro melhores na categoria de Biofabricação, a terceira mais disputada do evento. Único grupo a representar a USP na edição de 2025, o time celebra o reconhecimento como parte de uma trajetória sólida e crescente. “Esses resultados mostram que estamos construindo um caminho promissor, ampliando o alcance e a relevância da equipe dentro da comunidade científica internacional”, afirmam os integrantes da iGEM USP, relembrando que os primeiros passos do time aconteceram em 2022. 

Foto: Divulgação/Igem USP

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A abordagem humanizada e a filosofia do grupo também se destacaram entre mais de 400 projetos apresentados, rendendo à equipe o Prêmio de Inclusão Social Através da Ciência. O reconhecimento é concedido a iniciativas que promovem diversidade e acessibilidade na pesquisa científica e foi direcionado às ações paralelas ao projeto Glycosy-N-ation, como a produção de um podcast sobre doenças raras, a organização de um workshop de biologia molecular, o evento Um Dia como Biocientista – em parceria com a Fundação Casa – e a Missão Araguaia, um escape room adaptado para pessoas com deficiência visual, realizado em parceria com o Lar das Moças Cegas, que incluia atividades como modelar proteínas em massinha. “Essas conquistas representam o reconhecimento de um trabalho coletivo de excelência e reforçam nosso propósito: fazer ciência com impacto, responsabilidade e inclusão”, destaca Guilherme Pompeu, integrante da equipe. 

Além da supervisão de Cristiane Guzzo, a equipe conta com a colaboração de Mário Henrique, pesquisador do ICB.

Mais de seis mil estudantes

A Competição Internacional de Engenharia de Sistemas Biológicos (iGEM) é o maior evento mundial dedicado à biologia sintética. Criada em 2003 pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), a competição reúne anualmente mais de seis mil estudantes de diversos países, com o propósito de estimular o desenvolvimento de soluções inovadoras para desafios sociais e ambientais, usando a biologia como ferramenta tecnológica. 

A equipe dedicou o Prêmio de Inclusão Social da iGEM 2025 ao Lar das Moças Cegas e à Fundação CASA, reconhecendo o trabalho conjunto pela inclusão e ensino científico acessível. O grupo agradeceu aos professores e instituições que apoiaram o projeto Escape Room Acessível e aos financiadores da USP, Fapesp e empresas parceiras que viabilizaram o desenvolvimento.

Conheça a equipe iGEM USP neste link.

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* Da Comunicação do CEPID B3

 



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