sexta-feira, maio 15, 2026
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O que se pode esperar da COP30 em Belém este mês? – Jornal da USP


Comparativo entre Baku (2024) e Belém (2025) analisa o que deu errado na última reunião e o que deve acontecer nesta, situação analisada por Paulo Artaxo

Fotomontagem que mostra um círculo dentro do qual está estampado o slogan da COP30 com a inscrição Belém-Pará-Brasil
Fotomontagem Jornal da USP feita com imagens de tirachard/Freepik e Site/COP 30 no Pará
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Um comparativo divulgado entre Baku (2024) e Belém (2025) mostra o que falhou na COP29 e o que se espera do Brasil como protagonista da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025. A reunião de Belém, entretanto, herdou uma questão importantíssima e não resolvida da COP29, trata-se do financiamento climático: formas de financiar e políticas de captação. O professor Paulo Artaxo, titular do Instituto de Física da USP, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável (CEAS) da USP e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), comenta dos desafios que o evento enfrentará.

“Os principais desafios herdados são, na verdade, dois: sairmos de uma economia baseada no petróleo, que é a economia do século passado, para uma baseada nas novas energias sustentáveis, e a questão do financiamento climático, ou seja, como viabilizar recursos financeiros para que países em desenvolvimento possam implementar a sua transição energética e ao mesmo tempo se adaptar ao novo clima. Dessa forma, ajudando essas populações a enfrentar os problemas sociais e econômicos da transição energética e da mudança climática.”

O valor acordado para o financiamento de países emergentes é de US$300 bilhões anuais até 2035, um montante muito inferior ao que se planejava inicialmente de US$1,3 trilhão. Além disso, o professor comenta que as dificuldades geopolíticas de hoje, como a Europa em crise e uma crise de representatividade global, sem a maior economia do planeta na mesa de negociações, são outros obstáculos da reunião.

O fundo Florestas Tropicais Para Sempre e as NDCs

O fundo Florestas Tropicais Para Sempre foi anunciado recentemente durante a pré-conferência do evento, idealizado pelo presidente Lula, para financiar ações de preservação e desenvolvimento sustentável em países com grandes áreas de floresta. “Foi um gol de placa do Brasil, um começo com o pé direito da COP30, pois sabemos quais medidas devem ser tomadas, agora precisamos agir efetivamente. É hora de colocarmos as conversas e discussões diplomáticas de lado, a ciência está dando todo o embasamento para as necessidades urgentes que a sociedade demanda, agora chegou a hora da ação dos governos.”

Paulo Artaxo – Foto: Arquivo pessoal

Por outro lado, enquanto se aguardava o início das discussões pré-COP, as NDCs, as contribuições nacionalmente determinadas, que são as responsabilidades de cada um dos países com o Acordo de Paris, eram o principal assunto. “O Acordo tem que ser mantido fortemente, e os países têm que aumentar seus compromissos de redução de emissões para pelo menos três vezes os valores atuais. Sem dúvidas é um grande desafio; o Brasil, por exemplo, em mais uma grande ação, se comprometeu a reduzir 60% das suas emissões em 2035 comparado com 2005, mas é urgente para evitarmos um caos climático e um impacto social e econômico sem precedentes na história do planeta. Também é necessário pressionar particularmente a indústria do petróleo, visto que 90% das emissões de gases de efeito estufa estão associadas à exploração de derivados do petróleo. Nós temos que acabar com a exploração e uso de petróleo o mais rápido possível se quisermos ter um futuro sustentável para a humanidade”, afirma Artaxo.

Responsabilidades brasileiras e externas

Lula comentou na reunião de ontem que o País tem a obrigação de substituir os combustíveis fósseis pelas energias sustentáveis e amenizar o impacto da agricultura na poluição. Apesar dos bons exemplos dados pelo Brasil e pelo fato de possuir uma das matrizes energéticas mais sustentáveis do mundo, o professor explica que são necessárias ações conjuntas e que outros países também devem dar exemplo. “Alguns já estão fazendo isso, mas é preciso um esforço muito maior para que possamos acabar com a exploração de petróleo e implementar energias como a solar e eólica.”

Devido à posição tropical e extensão continental, o Brasil tem um potencial gigantesco para se tornar uma potência energética sustentável e de baixo custo. “O que nós precisamos é aproveitar essa oportunidade adequadamente e implementar uma transição energética essencial para o planeta.” Entretanto, o pedido de autorização do governo brasileiro para explorar petróleo na região da Amazônia levantou preocupações dos outros atores da conferência. A medida pode ser um “tiro no pé” do Brasil, de acordo com o professor, podendo ocasionar o desmatamento da região e o risco econômico da desvalorização do petróleo no futuro.

Expectativas da COP30

Para finalizar, Artaxo apresenta cinco aspectos críticos que a reunião deve acertar. “Primeiramente, desenhar um caminho de ação para que possamos nos livrar da exploração e do uso de combustíveis fósseis. Em segundo lugar, temos que estruturar um caminho de ação para acabar com o desmatamento de todas as florestas tropicais até 2030. Terceiro, estruturar mecanismos de adaptação e proteção de populações ao novo clima. O quarto ponto é a estruturação de mecanismos de financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a implementar sua transição energética. E, por fim, temos que reconstruir o caminho de multilateralidade para que todos os países possam atuar na direção da sustentabilidade.”


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