quinta-feira, maio 14, 2026
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Sistema de medição capilar torna o acompanhamento da circulação sanguínea mais exato – Jornal da USP


Inovação abrange diferentes tons de pele e pode ser acoplada a uma balança digital

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Ilustração de células do sangue em vermelho escuro sobre um fundo vermelho claro
Hiperglicemia prolongada está associada ao aumento do risco de trombose, ao provocar disfunção no revestimento interno dos vasos sanguíneos, o endotélio, que promove adesão de plaquetas, células responsáveis pela coagulação do sangue, e a formação de trombos, que obstruem o fluxo sanguíneo – Fotomontagem Jornal da USP feita com imagens de Vector8DIY/Pixabay e kjpargeter/Freepik
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O tempo de enchimento capilar (TEC) é uma técnica para avaliar quanto tempo leva para o sangue voltar à pele após uma leve pressão, em um intervalo denominado tempo de reperfusão. A quantidade observada demonstra a saúde da circulação sanguínea, além de mostrar problemas no sistema — os quais podem ocorrer por desidratação, infecções, doenças crônicas ou alterações cardiovasculares. 

A medição é avaliada visualmente por um profissional médico, que acompanha o retorno do sangue graças a um cronômetro. Entretanto, o exame está suscetível a variáveis como iluminação, temperatura ambiente, cor da pele e experiência do observador, que podem comprometer o resultado. 

Como forma de evitar erros, pesquisadores do Laboratório de Instrumentação Fotobiomédica do Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP) desenvolveram uma forma automatizada e quantitativa, aliada à placa de vidro transparente — como uma balança digital comercial —, para acompanhar o TEC por meio dos pés. Trata-se de sensores ópticos, acoplados ao objeto no chão. O próprio corpo do paciente realiza a pressão e um algoritmo matemático registra exatamente a variação da cor da pele durante o processo. 

George Cunha Cardoso – Foto: FFCLRP

George Cunha Cardoso, professor do Departamento de Física da FFCLRP, é o docente responsável pela equipe. “Na prática, do ponto de vista do usuário, você sobe na balança, fica um tempo e sai. O resultado será visto no visor da placa e no visor na sua mão”, explica. 

A patente apresenta nível de maturidade tecnológica cinco, ou seja, em testes com protótipo cujas configurações físicas estão próximas da versão final. O grupo busca parcerias de empresas e fabricantes para a comercialização do produto.

Eduardo Lopes Dias, graduado em Física Médica pela Faculdade e ex-aluno de Iniciação Científica no Laboratório, afirma que o diferencial da tecnologia é realizar a medição de maneira automática pelo pé. “Isso pode ser feito de forma fácil e intuitiva pelo próprio usuário, sem a necessidade de um especialista ao lado”, demonstra. Segundo o pesquisador, será possível acompanhar de forma rotineira a variação da circulação sanguínea em um dispositivo barato, prática que facilitaria a integração da medida na telemedicina

Público-alvo

Dias cita que a patente é voltada, em primeira instância, para empresas que desenvolvem equipamentos biométricos. “Em particular uma instituição que já venda a balança e poderia facilmente integrar a nossa invenção em um produto já existente, aumentando o valor de mercado e a competitividade”. 

A sociedade civil é o público-alvo secundário, visto que apresenta potencial para uso em residências, além de hospitais e clínicas médicas. Pessoas que precisam de monitoração constante também podem fazer o uso cotidiano do medidor, como explica Raquel Pantojo de Souza Bachour, que foi pesquisadora do Laboratório de Instrumentação Fotobiomédica da FFCLRP. “Nós verificamos que pacientes com diabetes têm neuropatia diabética, com diminuição de vascularização no pé”, declara. A neuropatia é uma complicação que afeta os nervos responsáveis pelo controle do diâmetro dos vasos sanguíneos e pode causar amputações. 

Acompanhamento médico

O TEC permite verificar pioras em doenças causadas por vírus, as chamadas viroses, visto que a medição pode ser mais lenta.  “Ele antecipa os problemas tais como queda de pressão arterial e febre”, explica. 

A dengue, doença transmitida normalmente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, provoca inflamação dos vasos sanguíneos, extravasamento de plasma, vasoconstrição periférica e desidratação. Esses fatores podem ser detectados pelo exame, antes de outros sintomas de piora na perfusão do organismo. 

Enfermidades crônicas, como o diabetes, também podem ser acompanhadas por meio do TEC. A glicose elevada danifica as paredes dos vasos, as quais reduzem a capacidade de troca de oxigênio e nutrientes com os tecidos, o que torna o fluxo de sangue mais demorado. 

*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo


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