quinta-feira, maio 14, 2026
HomeSaúde física e emocionalViolência contra profissionais de enfermagem cresce e expõe fragilidade no sistema de...

Violência contra profissionais de enfermagem cresce e expõe fragilidade no sistema de saúde – Jornal da USP


Agressões físicas e verbais se tornam rotina em hospitais e unidades básicas, levando medo e transtornos físicos e psicológicos a quem está na linha de frente do cuidado

Por

Fotomontagem mostrando uma enfermeira, devidamente uniformizada, em primeiro plano, e de ambos os lados dela pequenas ilustrações em círculo do serviço que prestam como profissionais de saúde como medir a pressão arterial
Muitos profissionais relatam sintomas de ansiedade, depressão e síndrome de burnout – Fotomontagem com imagens de Freepik
Logo da Rádio USP

A violência contra profissionais de enfermagem tem se tornado uma grave preocupação no sistema de saúde brasileiro. Enfermeiros, técnicos e auxiliares relatam agressões físicas, verbais e até ameaças constantes em seus locais de trabalho — sejam eles hospitais, prontos-socorros ou unidades básicas de saúde. Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), os casos de violência cresceram significativamente nos últimos anos, especialmente após a pandemia de covid-19. 

O enfermeiro e professor Pedro Palha, diretor da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, especialista em Saúde Pública, explica que a violência  na enfermagem sempre existiu. Vale lembrar que o profissional de enfermagem geralmente é o primeiro contato de quem chega a um local de atendimento. De acordo com Palha, existem três tipos de agressões: “A violência física, a violência verbal e a violência psicológica. No caso da enfermagem, por ser uma profissão majoritariamente feminina, existem questões de gênero que também definem o tipo de violência que é impetrado contra esses profissionais. Precisa levar em conta a questão de gênero e a questão étnico-racial, porque não dá simplesmente para a gente fazer uma leitura muito simplória em relação à tipologia sem levar em conta a formação dessa força de trabalho que é a enfermagem”. 

Pedro Fredemir Palha – Foto: Currículo Lattes

A presença de segurança nas unidades contribui para conter essa violência, mas elementos inibidores, além da presença física, podem ajudar em postos de atendimento, com o uso de tecnologias. É urgente a criação de políticas públicas que garantam segurança dentro das unidades de saúde. Câmeras de vigilância, equipes de apoio psicológico e campanhas de conscientização são medidas consideradas fundamentais. A categoria está unida com objetivos pontuais. “Primeiro, é o mapeamento que está sendo feito em relação às diferentes formas de violência que são impetradas contra a classe da enfermagem; segundo, a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais; terceiro, a implementação, de fato, do piso salarial da enfermagem; e quarto, a melhoria do dimensionamento de recursos humanos de enfermagem dentro do sistema de serviços de saúde.” 

Impacto na saúde e na carreira dos profissionais

O aumento da demanda por atendimento, a falta de estrutura nos serviços públicos e a sobrecarga emocional dos pacientes e familiares têm sido apontados como fatores que contribuem para o cenário. “Há uma banalização da violência. Os profissionais estão exaustos e, ao mesmo tempo, vulneráveis. A agressão passou a ser vista como parte do cotidiano”, afirma o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo.

Os efeitos desse ambiente hostil vão muito além do momento da agressão. Muitos profissionais relatam sintomas de ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Além disso, há registros de afastamentos e pedidos de demissão, o que agrava a falta de pessoal e compromete ainda mais a qualidade da assistência prestada. Enquanto isso, quem cuida continua precisando de cuidado. A enfermagem enfrenta uma dupla jornada: salvar vidas e lutar por respeito.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 



Fonte