A ativação da AMPK está associada à inibição da enzima ACC (acetil-CoA carboxilase), o que bloqueia a síntese de ácidos graxos e promove o redirecionamento dos ácidos graxos livres (AGL) para a β-oxidação mitocondrial, gerando energia. A pesquisadora destaca que a luz não afeta diretamente a maquinaria mitocondrial, mas atua como um sinal metabólico mais amplo.
Para monitorar o metabolismo dos queratinócitos em tempo real, os pesquisadores utilizaram os sistemas Seahorse XF e Resipher, que permitem a medição contínua e não invasiva do consumo de oxigênio em células cultivadas. Os dados revelaram que o aumento da respiração celular persistiu por até 48 horas após a exposição à luz vermelha, desaparecendo apenas no terceiro dia. Esse é um padrão típico de reprogramação metabólica, sugerindo alterações enzimáticas em vez de ativação direta pela luz.
Outras células da pele, como fibroblastos e melanócitos, não apresentaram a mesma resposta à luz vermelha. A exclusividade na resposta dos queratinócitos indica a especificidade da via de sinalização.
A ativação metabólica observada nas células expostas à luz vermelha não significa uma perda de lipídios — células formadas por ácidos graxos que armazenam energia em forma de gordura. O processo destaca, na realidade, uma mudança na sua função. “Essas células apresentam ativação da via de oxidação de ácidos graxos e diminuição dos níveis de ácidos graxos livres, mas não detectamos redução do triacilglicerol nem do colesterol, moléculas lipídicas,” explica a pesquisadora. Ou seja, não se pode dizer que as células estão “queimando gordura”.


