quinta-feira, maio 14, 2026
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E-book destaca papel do solo na produção sustentável e no enfrentamento das mudanças climáticas – Jornal da USP


Iniciativa da Brazilian Soil Health Partnership e do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical da USP, livro contou com a participação de 150 autores de 59 instituições do Brasil e do exterior

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Mão segurando um pouco de terra num cenário de plantas
Livro reafirma o papel do solo como alicerce essencial para a produção agropecuária, sustentabilidade e resiliência às mudanças climáticas – Foto: Divulgação/ Editora Fealq

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 A saúde do solo
e suas implicações na agricultura, atrelado a estratégias para o enfrentamento das mudanças climáticas são discutidos no livro Saúde do Solo em Ecossistemas Tropicais: A base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas. A obra é uma iniciativa da Brazilian Soil Health Partnership (BSHP) e do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Nestlé. O livro será apresentado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que está acontecendo nesta semana, em Belém, no Pará. Em formato digital, também está disponível para download gratuito neste link.

A obra, da Editora Fealq, tem como objetivo difundir conhecimentos científicos sobre o tema, discutindo e propondo caminhos. Parte da ideia de que o solo é um ecossistema vivo, complexo e extremamente dinâmico. A sua relevância para a vida é muito maior do que simplesmente ser base para as plantas e seu cultivo. Ele é responsável por moderar os ciclos d’água, armazenar e reciclar nutrientes, sustentar a biodiversidade, ocupando ainda o papel de maior reservatório terrestre de carbono e fonte de inúmeras atividades ecossistêmicas críticas para os seres humanos e a natureza. Preservar a saúde do solo, desenvolvendo sistemas produtivos sustentáveis os quais possam se adaptar e mitigar os efeitos das mudanças climáticas, é um dos grandes desafios da ciência atualmente. 

Mais do que uma compilação técnica, trata-se de um marco para o Brasil no diálogo entre ciência, inovação e sociedade, reafirmando o papel do solo como alicerce essencial para a produção agropecuária, sustentabilidade e resiliência às mudanças climáticas”, afirma o professor. Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, diretor do CCarbon e editor da obra ao lado do professor Maurício Roberto Cherubin, coordenador do BSHP, do professor Lucas Pecci Canisares, e do pesquisador de pós-doutorado Carlos Roberto Pinheiro Junior. 

Segundo o professor Cherubin, a BSHP forma uma aliança nacional ao lado do CCarbon, com o objetivo de fortalecer a agenda de saúde do solo no Brasil: “Esta aliança busca construir uma rede científica colaborativa capaz de responder a questões centrais da agricultura nacional, como o impacto das principais práticas de manejo, além de estabelecer protocolos padronizados para avaliação da saúde do solo em suas relações com o carbono, a biodiversidade, a qualidade da água e os benefícios socioeconômicos”.

Capa e páginas do livro que tem download gratuito – Foto: Divulgação/ Editora Fealq

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Solo: ativo estratégico

No total são 29 capítulos escritos com a participação de 150 autores advindos de 59 instituições do Brasil e do exterior. “Ao reunir capítulos que abrangem desde indicadores técnicos a estratégias de gestão integrada e estudos de caso bem-sucedidos, esta obra reflete a maturidade de uma agenda que reconhece o solo como um ativo estratégico para a humanidade. É um apelo à ação – enraizado na ciência – para a colaboração intersetorial e transfronteiriça, e para a valorização do conhecimento como motor de transformação”, afirma no prefácio o professor Rattan Lal, da Ohio State University, nos Estados Unidos, uma das principais autoridades mundiais em questões ligadas à Ciência do Solo.  

A segurança alimentar global e a crescente urgência das mudanças climáticas representam os maiores desafios enfrentados pelo setor agrícola na atualidade, segundo os autores do primeiro capítulo Saúde do solo: a base para ecossistemas tropicais mais produtivos e resilientes. “A demanda por alimentos cresce continuamente com o aumento populacional, impulsionando a expansão de áreas cultivadas. No entanto, essa expansão frequentemente ocorre em detrimento de ecossistemas biodiversos e ambientalmente sensíveis. Paralelamente, as mudanças climáticas já impactam negativamente a produtividade agrícola global, e projeções apontam que, sob cenários de altas emissões de gases de efeito estufa (GEE), muitos países não conseguirão atender à demanda calórica interna até o final do século. A interdependência entre o uso da terra e as mudanças climáticas torna-se, assim, uma fronteira crítica e ainda pouco quantificada para a segurança alimentar futura”, informam. 

Ciclo do carbono no sistema solo-planta-atmosfera (adaptado de Lavalle et al. 2020) – Foto: Divulgação/ Editora Fealq

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Outro capítulo,
Carbono do solo como indicador de saúde do solo e sua relação com a mitigação e adaptação às mudanças climáticas no Brasil, demonstra como os benefícios proporcionados pelo carbono do solo são fundamentais para a saúde do solo e para a manutenção de suas funções, que, por sua vez, garantem a oferta de serviços ecossistêmicos essenciais. “A presença de carbono e matéria orgânica no solo não é apenas um indicador da qualidade deste recurso, mas é crucial para sustentar a produtividade agrícola, preservar a biodiversidade e regular o clima. A adoção de práticas de manejo que promovem o sequestro de carbono, como o plantio direto, sistemas integrados, e a recuperação de pastagens degradadas, não apenas melhora a qualidade do solo, mas também contribui para a mitigação das mudanças climáticas”, comentam os autores. 

Como não existe um método direto para medir a saúde do solo, a avaliação depende da integração de indicadores químicos, físicos e biológicos. Dessa forma, selecionar o indicador de solo apropriado requer uma compreensão completa das propriedades dinâmicas do solo, que podem variar de acordo com a região, posição da paisagem ou uso da terra. No capítulo Kit Sohma: uma ferramenta para avaliação da saúde do solo no campo, os autores apresentam o Soil Health and Management Assessment Kit, composto pelo passo a passo e materiais necessários para a avaliação de sete indicadores de saúde do solo direto no campo, além de confecção do índice de saúde do solo. “O Kit Sohma foi desenvolvido e testado inicialmente em condições tropicais, com foco em sistemas agrícolas com culturas de cobertura. As culturas de cobertura têm o papel chave na agricultura regenerativa e em larga escala forneceram um modelo de estudo relevante, pois permitiram a avaliação de melhorias na saúde do solo, incluindo matéria orgânica aprimorada, ciclagem de nutrientes e estrutura do solo, em contextos pedoclimáticos distintos”, informam.

Leia o livro Saúde do Solo em Ecossistemas Tropicais: A base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas na íntegra no site da Fealq, neste link.

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Com informações da Fealq



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