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Saiba como tem sido a evolução das pesquisas arqueológicas amazônicas da USP, que revelam histórias milenares – Jornal da USP


Esta edição do boletim “Por Dentro da USP” aborda as pesquisas multidisciplinares e a formação de uma nova geração de arqueólogos, incluindo indígenas, para repensar a ocupação da floresta

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O boletim Por Dentro da USP de hoje conversa com o diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, Eduardo Góes Neves, um dos maiores especialistas mundiais em arqueologia amazônica. Na entrevista, o professor aborda a importante trajetória da Universidade nas pesquisas sobre a região, a transformação no campo da arqueologia e os projetos que apontam para um futuro multidisciplinar e global da ciência brasileira.

O especialista ressalta que a tradição de pesquisa arqueológica da USP na Amazônia é de longa data: “A USP tem uma trajetória importante nas pesquisas arqueológicas da Amazônia, e ela começa no Museu do Ipiranga, que hoje é um museu histórico, mas que antigamente era um museu antropológico também. Ao longo do tempo, as abordagens foram sendo modificadas. Uma coisa muito importante que nós temos hoje é um programa de pós-graduação em arqueologia, que, nos últimos anos, se consolidou como o principal centro de formação em arqueologia amazônica em todo o mundo. Nós temos na pós-graduação da USP alunas e alunos de mestrado e doutorado que se formaram em instituições amazônicas, que foram alunas e alunos dos nossos ex-alunos e alunas, e algumas dessas pessoas, esses jovens estudantes, são indígenas. Então a gente está, pela primeira vez, formando uma geração de jovens arqueólogas e arqueólogos da Amazônia, alguns indígenas, aqui na USP”, destaca ele.

Eduardo Góes Neves – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Neves também comenta sobre a contribuição das parcerias internacionais: “A arqueologia da Amazônia sempre foi muito globalizada. É um dos campos da arqueologia brasileira que tradicionalmente sempre se favoreceu e se beneficiou de trabalhos com instituições internacionais, o que sempre foi muito positivo e permitiu que este seja hoje um campo tão maduro. Essas colaborações continuam ocorrendo, mas hoje em dia existe, claramente, uma liderança feita por arqueólogas e arqueólogos brasileiros. Temos muitas cooperações com arqueólogos do Reino Unido, dos Estados Unidos, da França, da Alemanha e com colegas de outros países sul-americanos, como da Bolívia, por exemplo, mas esses projetos sempre ocorrem de uma maneira muito simétrica. A participação da USP é fundamental e nunca em uma situação de desigualdade, o que nos garante um processo de produção de conhecimento muito mais interessante e muito mais rico”, explica.

A integração com as comunidades locais é outro ponto crucial na arqueologia contemporânea. O diálogo e a preocupação com as populações que vivem nos locais das escavações é cada vez maior: “Hoje em dia eu não conheço nenhum pesquisador estrangeiro que seja ativo aqui no Brasil, na área de arqueologia, que não fale português muito bem, o que é uma coisa que não existia antigamente. Então essa facilidade propicia um diálogo que é muito mais frutífero. Além disso, atualmente, na arqueologia, existe uma preocupação cada vez maior com as populações que vivem nesses locais. A gente procura fazer um trabalho de comunicação, em alguns casos a gente pede pelo consentimento para realizar as atividades de campo”.

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Posted: 17/07/2024

O professor finaliza a conversa citando projetos de destaque que representam a atual fase da arqueologia amazônica: “Tem alguns projetos muito legais como o Amazônia Revelada, que é uma rede de colaboração de colegas de várias instituições amazônicas fazendo mapeamento de sítios arqueológicos numa área grande, localizada ao sul e a leste da bacia amazônica. Tem um projeto muito bacana que reúne o Museu Goeldi, o Museu da Amazônia e a University College de Londres, que são pesquisas em parceria com populações indígenas na região do Alto Rio Negro. Tem um outro projeto que é uma parceria entre a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e o Museu Nacional de História Natural de Paris, que está envolvendo uma abordagem multidisciplinar na escavação de um sambaqui fluvial. Sambaquis são tipos de sítios muito comuns aqui no Sudeste, mas que estão sendo cada vez mais encontrados na Amazônia também. Temos um projeto antigo também em Monte Alegre, no Pará, de documentação da arte rupestre, que é uma arte rupestre muito bonita, mas também de escavações de sítios que tem datas de mais de 12 mil anos”, exemplifica. “Penso que a arqueologia amazônica está num momento muito positivo, e uma das razões é justamente a qualidade da formação das pessoas envolvidas nas pesquisas, por um lado, e, por outro, as abordagens multidisciplinares, que permitem a produção de conhecimento com um nível muito superior.”



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