quinta-feira, maio 14, 2026
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COP30 é uma grande oportunidade para discutir temas do envelhecimento e das mudanças climáticas – Jornal da USP


Yeda Duarte comenta carta manifesto, fruto de um seminário feito em Belém, antes da COP30, com o objetivo de produzir um documento que fosse levado ao evento e desse visibilidade à questão do envelhecimento como eixo estratégico das políticas climáticas globais

Senhor idoso, utilizando andador e camisa listrada, ao lado de doutora apresentando exames
Os idosos constituem um dos grupos mais vulneráveis frente às mudanças do clima – Foto: Freepik
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Uma carta manifesto que trata sobre o envelhecimento e mudanças climáticas foi produzida no I Seminário Nacional sobre Envelhecimento, Sustentabilidade e Mudanças Climáticas, visando à COP30. O documento é uma oportunidade histórica para incluir o envelhecimento populacional como eixo estratégico nas políticas climáticas globais, já que o mundo enfrenta simultaneamente duas megatendências: mudanças climáticas aceleradas e expressivo envelhecimento populacional. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas no mundo terá 60 anos ou mais até 2050.

A professora Yeda Duarte, da Escola de Enfermagem e da Faculdade de Saúde Pública da USP e coordenadora do Estudo Sabe sobre as condições de vida e saúde dos idosos residentes no município de São Paulo, que é responsável pelo relatório, comenta o contexto de sua criação. “Essa carta manifesto é um produto de um seminário que foi feito em Belém, antes da COP30, com o objetivo de produzir um documento que fosse levado ao evento e desse visibilidade à questão do envelhecimento e pudesse colocar o envelhecimento como um dos eixos estratégicos das políticas climáticas globais. Visto que os idosos constituem um dos grupos mais vulneráveis frente às mudanças do clima, tendo maior suscetibilidade tanto às ondas de calor como de frio, à poluição e às questões emergenciais, é de suma importância que sejam pensadas formas de incluí-los nessas políticas. Então é necessário um planejamento estratégico muito bem-feito para que eles possam ser atendidos nessas situações.”

Yeda de Oliveira Duarte – Foto: Arquivo Pessoal

Uma das problemáticas mais importantes a serem resolvidas nesse contexto é a infraestrutura, ou a falta dela, nos grandes centros urbanos, levando em consideração que cerca de 24% da população idosa tem restrições na sua capacidade funcional e vai ter alguma dificuldade de mobilidade. Assim, em situações extremas, como enchentes, é necessário se perguntar se cidades como São Paulo conseguem atender a essa demanda em termos de um planejamento contingencial.

“Esse é um dos pilares da questão, é fazer um planejamento para ter cidades mais resilientes e inclusivas, que incluam transporte acessível, habitação adaptada, energia limpa, sistemas de alerta precoce. Muitas medidas já foram tomadas, como os alertas de fortes chuvas em São Paulo, que ajudam a alertar a população, porém, ainda temos muito trabalho a ser feito.”

As propostas do documento

Os pesquisadores analisaram todas as regiões brasileiras para levantar as principais problemáticas e encaminharam o documento, chamado de compromissos, para a COP30. “Primeiro é necessário um financiamento robusto para as pesquisas que envolvam envelhecimento, clima e saúde, para estudar a realidade e planejar medidas adequadas. Após isso, as políticas devem ser integradas com meio ambiente, saúde, urbanismo e assistência social, existindo também uma participação ativa das pessoas idosas e das organizações nos processos decisórios, já que isso raramente acontece”, comenta Yeda, antes de acrescentar: “Além disso, é preciso educação e tecnologias inclusivas para prevenir, monitorar e responder às emergências climáticas. Percebemos que nenhum documento que trata do clima se refere também à população idosa. Então se conseguirmos estruturar tudo isso de uma forma adequada e integrada, as pessoas mais vulneráveis, idosos, indivíduos com deficiência e diversos outros não serão relegados a quinto plano”.

Yeda chama atenção para as dificuldades que são enfrentadas para a implementação dessas medidas, considerando as especificidades de cada região do Brasil. “No Norte temos a Amazônia, as populações indígenas, ribeirinhas e seringueiras, ou seja, temos que levar a proteção dessas populações em consideração. A região Centro-Oeste é conhecida como berço das águas, então é necessário preservar isso, no Nordeste temos secas extremas e desigualdades sociais acentuadas, no Sudeste urbanizações e poluição e, no Sul, a questão do frio extremo e das recentes enchentes. Tudo isso deve ser considerado na hora de elaborarmos medidas públicas para ajudar as populações vulneráveis e, infelizmente, não temos, atualmente, políticas de contingenciamento em qualquer um desses locais. A COP30 é uma grande oportunidade para discutirmos esses temas e construir juntos um mundo mais resiliente, solidário, justo e inclusivo para todas as idades”, finaliza a professora.


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