Paulo Saldiva comenta aspectos que considera importantes em relação à COP30 e traz uma mensagem de alerta, mas, ao mesmo tempo, de esperança
Com a COP30 acontecendo em Belém, nada mais natural que o professor Paulo Saldiva dedique sua coluna a esse tema, que tem concentrado a atenção de toda a mídia. Ele ressalta os pronunciamentos de líderes e de cientistas, que chamaram a atenção para um efeito perverso, o de que as alterações climáticas se manifestarão principalmente sobre os grupos mais vulneráveis, tanto do ponto de vista físico como etário, e também socioeconômico, e, ao chamar a atenção a respeito desse aspecto, essa COP, para Saldiva, já traz algo diferente das demais. “Ela coloca o homem como um centro de atenção, não só como afetado, mas principalmente como causador. Não foram as demais espécies que estão sendo ameaçadas que causaram o desequilíbrio ambiental. Fomos nós, com a nossa forma de vida, os nossos hábitos de consumo, toda a forma como organizamos a nossa vida nos dias de hoje é que nos levaram a esse esgotamento de recursos, de alterações importantes no ambiente do planeta.”
De acordo com ele, todas as crises históricas sanitárias de massa, como a peste bubônica, a gripe espanhola e, mais recentemente, a covid, trouxeram grandes mudanças à nossa organização social. “É como se tivéssemos ameaçados por uma doença, pelo medo de adoecer e eventualmente morrer, e que nos fizesse colocar em prática medidas que devíamos ter tomado há mais tempo. Portanto, é isso o que a gente faz mais ou menos com o planeta, o que fazemos com a nossa própria saúde. Quantos de nós, que levamos uma vida muito intensa, trabalhamos demais, não temos tempo de cuidar de nós mesmos. Quando confrontados com uma doença grave, temos a força para reorientar os nossos hábitos e costumes […] Nós não estamos discutindo uma questão remota, mas sim algo que afeta a nossa vida e das pessoas que amamos.”
De resto, Saldiva nutre expectativas positivas em relação a essa COP: “Essa reorientação planetária passa por uma massa, por um entendimento, pela compreensão de que não são os animais mais distantes, mas nós mesmos que vamos ser afetados. Eu espero que saia dessa reunião de políticos, de líderes mundiais uma prescrição, uma receita, uma receita que vise a tomar medidas efetivas para que mudemos de vida. E nós, cidadãos, informados pelas condições, sentindo na pele as condições de um ambiente hostil, de um clima hostil, de falta de água, de inundações e, principalmente, da miserabilidade que afeta centenas de milhões de pessoas, possamos trilhar um caminho de entendimento e de sustentabilidade. Essa mensagem para hoje é uma mensagem dúbia, de um lado aponta a gravidade e do outro lado sinaliza com a luz da esperança. Talvez seja esse o caminho que nós devemos ter. Devemos estar preocupados com o que acontece, mas termos esperança de que é possível mudar”.
Saúde e Meio Ambiente
A coluna Saúde e Meio Ambiente, com o professor Paulo Saldiva, vai ao ar toda segunda-feira às 8h, quinzenalmente, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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