quinta-feira, maio 14, 2026
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Primeiro caso de trigêmeos nascidos de útero transplantado no mundo é registrado em SP – Jornal da USP


Irmãs passaram pelo primeiro transplante de útero entre mulheres vivas na América Latina no Hospital das Clínicas

Imagem de um cirurgião, paramentado de branco e com estetoscópio em volta do pescoço, segurando com a mão esquerda um simulacro de útero
A implantação do embrião anteriormente demorava um ano após a cirurgia, entretanto, o tempo foi reduzido para seis meses – Foto: Freepik
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Foi registrado, na cidade de São Paulo, no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, o primeiro caso de trigêmeos nascidos de útero transplantado no mundo. As irmãs passaram pelo primeiro transplante de útero entre mulheres vivas na América Latina anteriormente. O professor Dani Ejzenberg, da FMUSP, supervisor do Centro de Reprodução Humana do HC, membro da equipe que realizou o transplante, conta os detalhes da história.

Dani Ejzenberg – Foto: Reprodução Instagram

“Nós realizamos o primeiro transplante uterino com doadora falecida no mundo em 2016. E esse caso agora é o primeiro de sucesso na América Latina, com doadora viva, feito em 2024 e que nasceu agora em agosto de 2025. A paciente havia nascido sem o útero, isso acontece mais ou menos em uma em cada 4 mil mulheres e é chamado síndrome de Rokitansky. Ela estava inscrita no programa de doadora falecida e depois desenvolvemos um outro projeto para que a irmã pudesse doar. A irmã já tinha dois filhos de parto normal e tinha interesse de doar o útero para que ela pudesse gerar.”

Riscos do procedimento

O professor Wellington Andraus, coordenador médico da Divisão de Transplantes de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas, comenta da possibilidade de rejeição, visto que o transplante de útero é uma modalidade deste século e não se tem muito conhecimento sobre o procedimento. “Aparentemente, o útero não rejeita muito, mas existem alguns casos relatados de perda do útero por rejeição. Contudo, é possível controlar esses casos com uma quantidade intermediária de remédios e imunossupressores. Neste caso de agora, também não houve esse problema.”

A implantação do embrião anteriormente demorava um ano após a cirurgia, entretanto, o tempo foi reduzido para seis meses. “Em seis meses, consideramos que o útero já está cicatrizado, a imunossupressão já está controlada, e analisamos a questão da rejeição, se o endométrio está bem, e só então fazemos o implante. Normalmente, esperamos esses seis meses, no caso dela foram sete, para a implantação.”

A transferência do embrião

“Realizamos o transplante do útero em 2024 e aguardamos para ver se haveria rejeição, o que não ocorreu. No final de janeiro, foi feita a transferência de apenas um embrião para evitar justamente a gestação de gêmeos, e ela engravidou. Entretanto, o embrião não se dividiu uma vez, se dividiu duas, o que é muito raro, cerca de 0,04% de chance de ocorrer. Devido a ser um caso de gestação múltipla e de útero implantado, a gravidez precisou ser altamente monitorada por diversos especialistas, sendo eles o setor de obstetrícia, o grupo de transplantes e o centro de reprodução humana do hospital. Os três bebês nasceram prematuros, após sete meses, mas já receberam alta e se desenvolveram muito bem”, afirma Ejzenberg.

Wellington Andraus – Foto: Lattes

Trata-se do primeiro caso em que a paciente ficou com um tempo mínimo de imunossupressão, de apenas um ano e dois meses. “Por ser um parto de trigêmeos já era esperado que nasceriam prematuros e nos deixou muito preocupados pela dificuldade que é gestar três crianças, mas o útero transplantado se mostrou viável para suportar uma gravidez gemelar. Além disso, também mostra que os embriões que estavam congelados desde 2014 foram viáveis e teve a gravidez, mostrando a viabilidade do embrião que fica congelado por muitos anos”, fala Andraus.

Ejzenberg comenta que a principal surpresa do caso foi a capacidade de realizar a gestação com o útero de uma doadora viva e que, no futuro, isso abrirá portas para diversas mulheres que querem e não conseguem engravidar. Por fim, Andraus afirma a importância do Brasil nesse procedimento e na gravidez, tornando-se um pioneiro e uma referência dessa modalidade de transplantes para o restante do mundo.


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