Mosquito da dengue com coloração mais clara intriga pesquisadores e acende alerta para vigilância e adaptação do vetor na região amazônica

A descoberta da variante pálida do Aedes aegypti na Amazônia representa um marco epidemiológico e entomológico: ainda que não represente necessariamente um risco imediato maior, ela sinaliza que o vetor está potencialmente mais adaptável do que se imaginava. Isso reforça a necessidade de vigilância contínua, controle vetorial eficaz e educação comunitária. O Aedes aegypti é o conhecido transmissor do vírus da dengue, zika e chikungunya. Mas, recentemente, cientistas encontraram em Macapá, no Amapá, uma versão diferente desse mosquito — mais clara, com escamas esbranquiçadas no corpo e no abdômen.
A bióloga Tamara Lima Camara, professora do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, explica que essa é uma característica, e não se trata de mutação ou variante. Essa forma de Aedes aegypti já havia sido registrada no Brasil apenas uma vez, em 2020, no interior de São Paulo e em outros países como Singapura e Austrália. Apesar da aparência diferente, os especialistas garantem: não se trata de uma nova espécie e, até o momento, não há evidências de que ela transmita doenças com mais eficiência ou seja mais resistente aos inseticidas.
Adaptação a novos ambientes
O que intriga os pesquisadores é o fato de essa variante, antes associada a regiões secas e quentes, ter sido encontrada justamente no clima úmido da Amazônia. Isso pode indicar uma adaptação do mosquito a novos ambientes, o que exigirá atenção redobrada dos serviços de vigilância e controle de vetores. A hipótese é que essa linhagem tenha chegado à região por meio do transporte marítimo, possivelmente pelos seus portos.
Para a população, as medidas de prevenção continuam as mesmas: eliminar qualquer foco de água parada, manter caixas d’água tampadas, limpar calhas e vasos de plantas e usar repelente sempre que possível. A descoberta da variante pálida não é motivo para pânico, mas sim um alerta importante sobre a capacidade de adaptação do mosquito da dengue — e a necessidade de mantermos o combate ativo o ano todo, em qualquer estação ou região do País. Com relação à vacina, que já está disponível no SUS, nada muda, ela continua eficaz no combate ao vírus.
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