domingo, março 15, 2026
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Sistemas agroalimentares respondem por cerca de um terço das emissões globais de gases de efeito estufa – Jornal da USP


Além do consumo de água, método baseado em monoculturas e modelos industriais desrespeita os limites planetários, prejudica a saúde humana e incentiva a monotonia alimentar

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Trator passando numa plantação fazendo a colheita da soja
Os sistemas agroalimentares são redes complexas, que envolvem todas as atividades relacionadas à produção – Foto: Charles Ricardo/Pixabay
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No último final de semana, na África do Sul, ocorreu a Cúpula do G20. Líderes globais se reuniram para discutir assuntos-chave relacionados à estabilidade econômica global. Entre os documentos que foram à discussão, se encontra um policy brief produzido pela Cátedra Josué de Castro e instituições parceiras que trata sobre os sistemas agroalimentares.

Monotonia alimentar

Os sistemas agroalimentares são redes complexas, que envolvem todas as atividades relacionadas à produção, processamento, distribuição e consumo de alimentos. Segundo Roberta Curan, gerente de inteligência do Instituto Comida do Amanhã: “Nossa forma de produzir, distribuir, consumir e descartar alimentos segue um modelo industrial: monoculturas, produção em larga escala, uso intensivo de agrotóxicos e aumento no consumo de produtos ultraprocessados. Para se ter uma ideia, os sistemas agroalimentares respondem por cerca de um terço das emissões globais de gases de efeito estufa — e, no Brasil, essas emissões chegam a 75%, além de serem grandes consumidores de água”.

Roberta Curan

Destacam-se também os impactos alimentares causados pelo modelo agroalimentar atual. Em 2022, quase 40% dos adultos e 20% das crianças estavam com sobrepeso ou obesidade; ao mesmo tempo, 2,3 bilhões de pessoas viviam em insegurança alimentar no mundo todo. O modelo ainda auxilia no processo da monotonia alimentar, processo que gera padronização das paisagens agrícolas e das escolhas alimentares realizadas pela população, devido a múltiplos fatores de produção, distribuição e consumo dos alimentos.

Os custos indiretos relacionados às questões ambientais e de saúde deste modo de funcionamento dos sistemas agroalimentares são de aproximadamente ​US$ 12 trilhões  anualmente. “Tudo isso mostra que estamos diante de uma crise que é, ao mesmo tempo, alimentar, ambiental e de saúde — e que está profundamente ligada aos sistemas agroalimentares atuais”, completa Roberta.

Papel do G20

O G20 é um fórum de cooperação econômica internacional que reúne 19 países, além da União Africana e da União Europeia. Nele, estão representadas as economias mais desenvolvidas e em desenvolvimento do mundo. Segundo Nadine Marques, pesquisadora da Cátedra Josué de Castro, “o G20 está em uma posição estratégica para liderar um processo de transformação desses sistemas, a partir de uma abordagem integrada entre as políticas agrícolas e as alimentares. Além disso, é preciso reconhecer que grande parte das multinacionais envolvidas no sistema agroalimentar, especialmente as indústrias de agrotóxicos, de criação animal e de processamento de alimentos, é originária de países do G20. Isso faz com que sua contribuição para enfrentar os desafios resultantes dos sistemas agroalimentares seja crucial e indispensável”.

Nadine Marques – Foto: Reprodução/Sustentaria

O principal ponto do policy brief apresentado pela Cátedra Josué de Castro é mostrar que o G20 ocupa uma posição estratégica para liderar a transformação dos sistemas agroalimentares. Por meio do documento são propostos cinco caminhos principais: o primeiro é fortalecer os serviços ecossistêmicos e a infraestrutura agrícola, garantindo resiliência e sustentabilidade. O segundo é regenerar solos degradados e aumentar a autonomia tecnológica do setor. O terceiro é regular o uso de antibióticos na produção animal. O quarto é estimular o consumo de alimentos frescos e reduzir a presença de ultraprocessados, e o quinto é promover uma governança global mais justa, adaptando financiamento e políticas para que pequenos produtores e países menos favorecidos possam participar da transição.

*Sob supervisão de Cinderela Caldeira e Paulo Capuzzo


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