Seis a cada 100 pessoas infectadas pelo vírus sars-cov-2 desenvolvem a covid longa, um conjunto de problemas apresentados após a covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O termo engloba sintomas que surgem ou persistem três meses após o contágio inicial e continuam por pelo menos mais dois meses. Como também há poucas pesquisas sobre do impacto da covid longa na saúde renal, Ribeiro e equipe fizeram um outro estudo, sob supervisão do professor Emmanuel A. Burdmann. Na pesquisa, analisaram 37 artigos que, somados, reúnem uma amostra de 1,3 milhão de pessoas.
A revisão mostra que as pesquisas sobre a covid longa renal se concentram em países europeus (37%) e asiáticos (34%), a maioria delas do período pré-vacinação. Apenas um trabalho brasileiro foi incluído e nenhum estudo da África ou do Oriente Médio apareceu no levantamento. “Muito provavelmente, os sistemas públicos e privados de saúde do Sul Global estão negligenciando a covid longa, em especial seus efeitos nos rins”, alerta o pesquisador. Ele ressalta que, enquanto a produção científica se concentra em países de alta renda, 40% dos pacientes avaliados pela FMUSP vivem em baixas condições socioeconômicas.
Além disso, a manifestação da doença foi heterogênea ao redor do mundo, o que torna difícil a tarefa de entender quais foram seus impactos na saúde. Na avaliação de Ribeiro, o artigo contribui para preencher parte dessa lacuna. “A nossa coorte pode oferecer um retrato mais fiel desse cenário e apoiar o cuidado dessas pessoas”, diz.
O artigo Community-Acquired Acute Kidney Injury and Late Kidney Dysfunction in Survivors of Covid-19 Hospitalization pode ser acessado neste link. Já a revisão sobre covid longa, Renal Long Covid: A Scoping Review, pode ser acessada neste link.
Mais informações: e-mail heitorribeiro@usp.br, com Heitor S. Ribeiro
Estagiária sob orientação de Luiza Caires



