domingo, março 15, 2026
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Anel que promete medir glicose sem dor coloca em risco o controle da diabetes – Jornal da USP


Uso do dispositivo preocupa médicos e já foi proibido pela Anvisa devido à falta de comprovação científica

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No centro da imagem, há uma colher dourada contendo açúcar granulado branco. Ao redor da colher, está espalhado mais açúcar granulado sobre uma mesa preta. Perto da colher, há três cubos de açúcar empilhados. A textura dos grãos de açúcar é visível, com pequenos cristais brilhando sob a luz, o que dá à imagem uma sensação de nitidez e detalhe. A cor predominante é o branco do açúcar contrastando com o fundo escuro e a colher dourada.
Excesso de açúcar no sangue é sinal de alerta para a diabetes. O controle seguro depende de ferramentas validadas para medir os níveis de glicose – Foto: Fabrikasimf / Freepik
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A proliferação de “tratamentos milagrosos” para doenças crônicas, como o diabetes, tem encontrado terreno fértil nas redes sociais. A mais recente promessa é um medidor de glicose em formato de anel, que garante medir os níveis de açúcar no sangue de maneira indolor e sem a necessidade do tradicional furo no dedo.

O avanço desse tipo de propaganda tem acendido um sinal de alerta entre especialistas. A endocrinologista e metabologista Lívia Mara Mermejo, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, considera a situação preocupante. “Não existem respostas mágicas. O uso desses medidores pode levar a erros na administração da insulina, com risco de hipo ou hiperglicemia e até de cetoacidose diabética, condição grave provocada pela falta de insulina e pelo excesso de glicose no sangue”, alerta.

Comercialização proibida 

A falta de comprovação científica também levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a se manifestar. O órgão emitiu um comunicado proibindo a comercialização dos anéis medidores de glicose, alertando que o produto não possui evidências que sustentem seu uso. Segundo a especialista, para que qualquer dispositivo seja considerado eficaz é indispensável que passe por rigorosos testes científicos. “São necessários estudos clínicos controlados, análises laboratoriais e resultados publicados em revistas científicas que comprovem a eficácia do dispositivo. Sem esse processo de validação, qualquer alegação de benefício e aplicabilidade não tem fundamento”, ressalta.

Lívia Mara Mermejo – Foto: Currículo Lattes

Mesmo após a proibição da Anvisa, anúncios com promessas fantasiosas continuam circulando nas redes sociais. Para atrair a atenção do público, os fabricantes recorrem a estratégias de marketing que envolvem imagens de personalidades digitais e celebridades. “A presença de influenciadores cria uma sensação de confiança e proximidade, tornando os pacientes mais vulneráveis, especialmente os mais jovens ou recém-diagnosticados. O apelo de evitar picadas pode levar a um atraso no tratamento e à piora da doença”, alerta Livia.

Diante do aumento de propagandas enganosas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma lista oficial com os dispositivos cuja comercialização foi vetada. O órgão reforça que esses produtos não possuem qualquer comprovação científica de eficácia, e que sua venda representa risco à saúde pública.

Tecnologias aprovadas e seguras

A professora destaca que o tratamento seguro da diabetes depende exclusivamente de métodos validados pela Anvisa. “Os exames laboratoriais, feitos a partir de amostras de sangue coletadas da veia do braço, os glicosímetros capilares (aparelhos que medem a glicose a partir de uma gota obtida de um furo no dedo) e os sistemas de monitoramento contínuo de glicose (sensores aplicados de forma subcutânea na pele, capaz de medir a glicose do fluido intersticial – líquido entre as células – e posteriormente enviando o resultado para um aplicativo ou computador), continuam sendo as ferramentas mais confiáveis para o controle da glicemia”, explica. De acordo com ela, esses métodos contam com ampla base científica e garantem a aferição precisa dos níveis de glicose no sangue, o que é essencial para o manejo adequado da doença.

Para não cair em falsas promessas a recomendação é simples: duvidar do que parece ser fácil demais. “Desconfie sempre de produtos que prometem resultados imediatos e sem esforço”, orienta a médica. “A melhor estratégia continua sendo o acesso à informação de qualidade, o acompanhamento com médico e demais profissionais de saúde e o tratamento baseado em evidências científicas.”

*Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior e Rose Talamone 


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