Reflexões sobre como a burocratização afeta a experiência acadêmica e como o engajamento em ações coletivas ameniza o impacto

Neste episódio do Mentes em Pauta a acadêmica Letícia Domingos continua o bate-papo com a psicóloga Beatriz Moreno para falar sobre o enfrentamento da burocracia institucional paralelo ao curso de graduação. Para Beatriz essa questão é um temperinho, que dá um retrogosto dentro da lógica neoliberal, ou seja, a burocratização impõe um peso extra ao cotidiano acadêmico, um sabor desagradável depois da experiência, como um resíduo amargo.

Segundo Beatriz, a burocracia não só atrapalha, como deixa marcas, traz um incômodo constante, típico de um sistema que privilegia regras e procedimentos em detrimento do bem-estar e da experiência humana. “Durante a trajetória universitária enfrentar as dificuldades burocráticas foi um desafio marcado por sobrecargas típicas da lógica institucional. A busca por formas de lidar com essas demandas passou pelo reconhecimento da importância de espaços onde essas questões pudessem ter voz, não necessariamente com encaminhamentos imediatos ou soluções, mas com possibilidade de expressão.”

Nesse percurso, iniciativas voltadas à reflexão sobre políticas públicas no campus foram fundamentais para Beatriz, assim como o questionamento sobre os efeitos da burocratização na comunidade acadêmica. “A participação em conferências de saúde mental, ações relacionadas ao bem-estar e atividades que permitem modos de existência fora da lógica burocrática foram apontadas como relevantes.”

O envolvimento estudantil em ligas também teve papel significativo, apesar do desafio de conciliar horários. Investir tempo e energia em espaços coletivos ajudou a elaborar angústias e dilemas. A compreensão dessas dinâmicas de forma compartilhada e a organização das demandas foram estratégias essenciais para lidar com a burocratização.
O Mentes em Pauta é uma série quinzenal da Rádio USP Ribeirão Preto sobre saúde mental na Universidade. A apresentação é de Letícia Domingos, com produção do Centro de Orientação Psicológica (Copi) da USP Ribeirão Preto e trilha de Kaio Alves.




