domingo, março 15, 2026
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Alerta sobre risco de câncer em terapia hormonal é removido pela agência reguladora dos EUA – Jornal da USP


No Brasil, a decisão de regulamentar medicamentos cabe à Anvisa e as pacientes não devem iniciar, interromper ou ajustar tratamentos sem orientação médica

Imagem de uma mulher de camiseta amarela, cujo rosto não se vê, segurando de frente para a câmera uma cartela com pílulas de reposição hormonal
O tratamento hormonal deve ser acompanhado por um especialista para a discussão de cada caso específico – Foto: Jcomp/Freepik
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A agência reguladora dos EUA, Food and Drug Administration (FDA), remove alerta sobre risco de câncer em terapia hormonal e anuncia a retirada do “aviso de caixa preta” dos medicamentos de terapia de reposição hormonal (TRH). Esse tratamento consiste na reposição de hormônios para aliviar os sintomas causados pela menopausa e o climatério – por exemplo, os fogachos. Desde 2003, a FDA alertava que a terapia hormonal possuía riscos de câncer de mama, doenças cardíacas e demência. A decisão segue uma revisão de estudos das últimas duas décadas, que mostraram que o estrogênio não aumenta o risco de câncer de mama em mulheres.

Segundo a professora Laura Testa, oncologista pela Faculdade de Medicina da USP, pesquisadora e chefe do Grupo de Oncologia Mamária do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) do complexo do Hospital das Clínicas da FMUSP, a retirada dos tratamentos somente com o estrogênio já era esperada. Por outro lado, terapias que combinam o estrogênio com outros hormônios, principalmente a progesterona, ainda possuem potencial de risco. A pesquisadora explica que o estrogênio é responsável pela proliferação do endométrio, tecido de revestimento interno do útero que descama durante a menstruação, e a progesterona serve para contrabalancear esse crescimento, sendo usada para a proteção endometrial.

As implicações da decisão

“As bulas e os medicamentos disponíveis já foram discutidos de forma ampla pela mulher que iniciou esse tratamento. A mudança é que eventualmente alguma mulher que pensou que o tratamento seria perigoso, depois dessa notícia tem uma abertura diferente para perguntar para quem cuida dela, ou seja, para seu ginecologista, sobre reposição hormonal, então aumenta a possibilidade de mulheres que tinham medo sobre a reposição que o tratamento pode trazer benefícios para elas”, informa Laura.

O tratamento hormonal deve ser acompanhado por um especialista para a discussão de cada caso específico. A presença de outros fatores, como comorbidades, doenças ou até o consumo de bebidas alcóolicas, impacta o tratamento e pode apresentar maior risco de câncer do que a reposição em si. Além disso, pensar no histórico familiar é importante para escolher qual o melhor tratamento, que não necessariamente tem que ser igual para todos pacientes. A indicação do uso é para mulheres que estão em menopausa até dez anos ou antes dos 60 anos.

No Brasil

“O País tem poucos medicamentos industrializados para o tratamento hormonal, por conta desse medo do TRH. A quantidade pequena de produtos avaliados em grandes estudos, disponíveis para a população, faz com que a maioria utilizada seja de medicamentos manipulados ou implantes não regulamentados pela Anvisa”, afirma a oncologista.

Sobre as bulas, a pesquisadora declara que, caso a mudança seja aceita pela Anvisa, haverá uma readequação, mas que os dados de incidência de câncer durante o uso do medicamento para TRH devem continuar a aparecer nos produtos. “O que acontece é que habitualmente as bulas trazem as informações de que existem casos associados”, finaliza.


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